O Ceará foi escolhido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para testar o primeiro laboratório de inteligência penal do Brasil. Até o fim deste ano, o Estado deve receber R$ 23 milhões em equipamentos para reforçar a segurança de pelo menos nove presídios, que terão padrão de “segurança máxima”.
O pacote inclui drones, scanners, georadares e kits de varredura. A tecnologia deve apoiar a polícia penal na identificação de comunicações ilícitas, aparelhos eletrônicos, materiais proibidos e riscos estruturais, como túneis escavados por detentos.
O Governo do Estado informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não divulgará quais unidades receberão os equipamentos, por questões “estratégicas”. O anúncio do investimento ocorreu na sede da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará (SAP-CE), em Fortaleza, com a presença do titular da pasta, Mauro Albuquerque, e da vice-governadora Jade Romero.
O secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que o objetivo é impedir que ordens do crime organizado saiam dos presídios e bloquear ligações feitas por celulares. Ele relacionou o investimento à Lei Antifacção, sancionada neste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e citou a PEC da Segurança como outro marco normativo.
Entre os equipamentos, há drones com sensores térmicos, alcance de 1,5 quilômetro de altura e capacidade de leitura de placas. Georadares poderão monitorar túneis, enquanto aparelhos de varredura eletrônica rastrearão dispositivos e sinais de Wi-Fi. “Se tiver um ambiente com Wi-Fi funcionando, ele [o equipamento] vai identificar e bloquear”, disse Garcia.
Segundo Mauro Albuquerque, os drones poderão fazer sobrevoos noturnos e monitorar movimentos de calor e áreas do sistema prisional. O secretário afirmou que os equipamentos poderão cobrir a área 24 horas por dia.

