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Brasileiros poderão pagar com Pix na Europa? BC e BCE estudam integração

O Banco Central do Brasil negocia uma possível integração do Pix com o TIPS (Target Instant Payment Settlement), plataforma de pagamentos instantâneos do Eurosistema. As conversas ainda estão em fase preliminar, mas o projeto já aparece no cronograma de trabalho do Banco…

Brasileiros poderão pagar com Pix na Europa? BC e BCE estudam integração

O Banco Central do Brasil negocia uma possível integração do Pix com o TIPS (Target Instant Payment Settlement), plataforma de pagamentos instantâneos do Eurosistema. As conversas ainda estão em fase preliminar, mas o projeto já aparece no cronograma de trabalho do Banco Central Europeu (BCE).

Se a conexão avançar, brasileiros poderão ter uma nova forma de realizar pagamentos na Europa usando recursos de uma conta no Brasil. Na prática, a proposta permitiria que uma operação iniciada em reais fosse convertida e liquidada em euros de forma instantânea.

A novidade pode facilitar pagamentos de turistas e consumidores, além de abrir novas possibilidades para empresas que realizam negócios entre Brasil e Europa. Mas ainda não há um serviço disponível: antes disso, serão necessários estudos técnicos, jurídicos, econômicos e de segurança.

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O que o Banco Central está negociando?

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A proposta é conectar a infraestrutura brasileira do Pix ao TIPS, sistema europeu utilizado para a liquidação de pagamentos instantâneos.

O BCE confirmou que existe atualmente uma investigação preliminar para avaliar uma possível interligação entre as duas plataformas. Essa etapa analisa, entre outros pontos, a viabilidade técnica, jurídica, operacional e de segurança da conexão.

O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla de modernização dos pagamentos internacionais. O BCE também estuda conexões do TIPS com outros sistemas de pagamentos instantâneos, incluindo a UPI, da Índia, e o sistema suíço.

Como o Pix poderia ser usado na Europa?

O funcionamento pretendido seria relativamente simples para o consumidor.

Um brasileiro poderia, por exemplo, estar em uma loja na Europa, escanear um QR Code compatível e autorizar o pagamento pelo aplicativo de seu banco no Brasil.

O dinheiro seria debitado da conta brasileira em reais, enquanto o estabelecimento receberia o equivalente em euros. Para que isso aconteça, seria necessário um mecanismo de conversão cambial e de liquidação entre as duas infraestruturas.

Um exemplo hipotético:

  • uma compra custa €50;
  • o consumidor escolhe pagar pelo Pix;
  • o aplicativo informa quanto será descontado em reais;
  • o usuário confirma a operação;
  • a conversão é realizada;
  • o comerciante recebe os euros.

A forma exata dessa operação ainda não foi definida. Também não há confirmação sobre quais instituições poderão participar ou quais estabelecimentos aceitarão a modalidade.

O Pix internacional já existe?

O Pix ainda é, oficialmente, uma infraestrutura de pagamentos domésticos.

Isso não impede que brasileiros utilizem o sistema em determinadas operações no exterior. Existem parcerias entre instituições brasileiras e estrangeiras que permitem pagamentos de brasileiros em alguns mercados.

Nesses modelos, porém, o Pix é utilizado apenas em uma parte da operação. O pagamento em reais pode ocorrer instantaneamente no Brasil, enquanto a transferência correspondente para o exterior é realizada posteriormente por mecanismos tradicionais.

Uma eventual conexão direta com o TIPS seria diferente porque permitiria uma integração mais profunda entre as infraestruturas de pagamentos.

O que é o TIPS?

O TIPS é a plataforma do Eurosistema para liquidação de pagamentos instantâneos em moeda de banco central.

A sigla significa Target Instant Payment Settlement. Segundo o BCE, o sistema permite que provedores de serviços de pagamento ofereçam transferências em tempo real, 24 horas por dia, durante todos os dias do ano.

O TIPS também possui capacidade para trabalhar com diferentes moedas. Atualmente, há suporte para euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa, mediante os respectivos acordos com os bancos centrais.

A plataforma é, portanto, uma infraestrutura financeira. Não é simplesmente um aplicativo europeu equivalente ao aplicativo do Pix.

O que muda para brasileiros que viajam para a Europa?

A principal mudança potencial está na forma de pagar.

Hoje, um turista brasileiro normalmente precisa recorrer a cartão internacional, dinheiro em espécie ou uma conta/cartão multimoeda para realizar despesas no exterior.

Com uma eventual integração, seria possível utilizar diretamente uma conta brasileira habilitada para o serviço.

Isso poderia ser especialmente útil para pequenas compras, restaurantes, transporte e outros pagamentos cotidianos.

A disponibilidade, porém, dependeria da adesão dos comerciantes e das instituições financeiras. Portanto, mesmo que o projeto seja implementado, não significa que todo estabelecimento europeu passará automaticamente a aceitar Pix.

O pagamento será convertido de real para euro?

Essa é uma das principais questões que ainda precisam ser definidas.

O objetivo de uma infraestrutura desse tipo é justamente permitir operações entre sistemas que trabalham com moedas diferentes. O TIPS já possui mecanismos de pagamentos entre moedas em determinados corredores europeus.

Para o brasileiro, o ponto mais importante será saber qual taxa de câmbio será utilizada e quais tarifas poderão ser cobradas.

Uma transação instantânea não significa necessariamente uma transação gratuita.

Além da cotação utilizada, poderão existir custos cobrados pelas instituições participantes. O Banco Central informou que estuda modelos de conversão cambial, participação e liquidação para uma eventual conexão internacional.

O Pix na Europa será gratuito?

Ainda não é possível afirmar.

O Pix tradicional entre pessoas no Brasil é conhecido pela ausência de tarifas para grande parte dos usuários, mas uma operação internacional envolve câmbio, liquidação entre países e diferentes instituições financeiras.

Por isso, uma eventual integração Pix-TIPS poderá ter custos específicos.

O próprio Banco Central aponta que a interligação de sistemas instantâneos pode reduzir custos das transações internacionais, mas isso não significa que toda operação será necessariamente gratuita para o consumidor.

Quando o Pix poderá funcionar na Europa?

O projeto ainda não tem uma data definitiva de lançamento.

De acordo com o cronograma preliminar divulgado sobre as negociações, a fase de pré-investigação deve ser concluída em setembro de 2026. A etapa seguinte está prevista para ocorrer entre outubro de 2026 e março de 2027.

Depois disso, uma eventual implementação poderia avançar entre abril de 2027 e junho de 2028. O planejamento mencionado prevê um possível piloto operacional em junho de 2028.

Essas datas são preliminares e podem ser alteradas. A realização do projeto depende dos resultados dos estudos e da aprovação das etapas seguintes pelos órgãos envolvidos.

O que ainda precisa ser definido?

Antes de o consumidor utilizar o Pix em uma loja europeia, diversos pontos terão de ser resolvidos.

Entre eles estão:

  • integração técnica entre Pix e TIPS;
  • regras para conversão de real e euro;
  • taxas e custos das operações;
  • regras de participação de bancos e instituições financeiras;
  • segurança contra fraudes;
  • tratamento de transações contestadas ou incorretas;
  • liquidação dos recursos;
  • regras regulatórias;
  • governança da conexão;
  • custos de implementação e manutenção.

O Banco Central também pretende analisar o potencial econômico da iniciativa, incluindo demanda, volumes de transações e possíveis casos de uso.

Empresas também poderão se beneficiar

A eventual integração não seria relevante apenas para turistas.

Empresas brasileiras que vendem produtos ou serviços para consumidores europeus poderiam ter uma nova alternativa para receber pagamentos. Da mesma forma, negócios europeus poderiam facilitar cobranças de clientes brasileiros.

O Banco Central afirma que a conexão de sistemas instantâneos internacionais pode permitir remessas e compras com disponibilização dos recursos na moeda local em poucos segundos.

Isso pode reduzir etapas e tornar determinadas operações internacionais mais eficientes.

Por que o BCE quer conectar sistemas de pagamentos?

A Europa também busca melhorar os pagamentos transfronteiriços.

Segundo o BCE, a conexão entre sistemas instantâneos pode aumentar a velocidade, reduzir custos e melhorar a transparência das operações internacionais. A iniciativa está alinhada aos objetivos do G20 para tornar pagamentos entre países mais rápidos, baratos, transparentes e acessíveis.

Mais de 80 países já possuem sistemas domésticos de pagamentos instantâneos, segundo o BCE. Entre os exemplos citados pela instituição estão o TIPS, o Pix brasileiro e a UPI indiana.

A tendência é que essas estruturas passem a conversar entre si.

O Pix pode se tornar um sistema internacional?

A possível conexão com o TIPS seria um passo importante nessa direção.

O Banco Central já declarou que avalia tanto conexões bilaterais com sistemas de outros países quanto a participação em plataformas multilaterais. A intenção é permitir pagamentos e remessas internacionais com recursos disponíveis na moeda local em poucos segundos.

O próprio Conselho Europeu de Pagamentos informou que o Brasil trabalha na possibilidade de interligar o Pix a sistemas instantâneos de outras jurisdições, seja por conexões bilaterais, seja por plataformas multilaterais.

Isso significa que a discussão sobre internacionalização do Pix vai além da Europa.

O que o brasileiro precisa fazer agora?

Nada.

A possível integração ainda está em fase de estudos. Não existe atualmente um cadastro específico que o consumidor precise fazer para utilizar um suposto “Pix europeu”.

Quem viajar para a Europa deve continuar utilizando os meios de pagamento disponíveis atualmente.

Se a integração for aprovada, os bancos e instituições financeiras participantes deverão informar como o serviço funcionará, quais serão as taxas e onde ele poderá ser utilizado.

O que acontece daqui para frente?

Pix
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

O próximo passo é concluir a fase de investigação preliminar e avançar para os estudos de viabilidade.

As equipes brasileiras e europeias deverão avaliar os aspectos técnicos, jurídicos, econômicos e operacionais da conexão. Também será necessário definir como ocorrerão o câmbio, a liquidação e a participação das instituições financeiras.

Caso o projeto avance conforme o planejamento preliminar, um piloto poderá ser realizado em 2028.

Até lá, qualquer informação sobre disponibilidade imediata do Pix na Europa deve ser tratada com cautela.

Conclusão

A possível integração entre Pix e TIPS pode representar uma mudança importante nos pagamentos internacionais. Para brasileiros, o principal benefício seria a possibilidade de pagar em euros utilizando recursos de uma conta no Brasil, sem depender exclusivamente de cartões internacionais.

Mas a novidade ainda não está disponível. O projeto está em fase de investigação e ainda depende de decisões sobre câmbio, tarifas, segurança, regras de participação e funcionamento da conexão.

Se as negociações avançarem, o piloto previsto para 2028 poderá ser o primeiro passo para uma utilização mais ampla do Pix fora do Brasil.


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