Sem acesso ao dinheiro que mantinha no Ueno Bank, a cearense Taís Magno, de 27 anos, passou a usar o cartão de crédito brasileiro para pagar despesas do dia a dia no Paraguai. A estudante de Medicina Veterinária afirma que também teve investimentos bloqueados após a intervenção na instituição.
O uso do cartão gerou cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), custo que Taís descreveu como “caríssimo”. Ela diz que a alternativa é necessária enquanto tenta reorganizar as finanças e recuperar o acesso aos valores.
O Ueno Bank, maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta dificuldades financeiras e é alvo de investigações. Após uma revisão de balanços, seu índice de solvência — medida da capacidade de honrar compromissos — caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas autoridades paraguaias.
Prazo para receber os valores
Taís espera que o dinheiro seja liberado em 15 a 30 dias, com a transferência dos recursos para outra instituição. A legislação paraguaia prevê o pagamento da garantia dos depósitos em até 15 dias corridos após a aprovação da resolução da instituição financeira. O prazo pode ser prorrogado por mais 15 dias, por decisão do Banco Central.
Segundo a estudante, ela tentou abrir conta em cinco bancos paraguaios e só conseguiu na sexta tentativa. A procura por novas instituições aumentou após o fechamento do Ueno Bank, dificultando a abertura de contas, afirma.
Cliente do Ueno havia cerca de três anos, Taís escolheu o banco por benefícios como descontos e cashback. Ela relata que a crise abalou sua confiança nas instituições financeiras, mas mantém uma avaliação positiva do Paraguai, onde se mudou após se casar com um paraguaio. Entre as facilidades que encontrou no país, citou a carga tributária reduzida e o acesso à compra de imóveis, automóveis e eletrodomésticos.

