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Mendonça troca prisão preventiva de empresário por domiciliar

A decisão prevê monitoramento por tornozeleira e foi tomada após pedido da defesa. Camisotti é investigado por descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

Mendonça troca prisão preventiva de empresário por domiciliar

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou nesta quinta-feira (5) que Maurício Camisotti deixe a prisão preventiva e passe a cumprir prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Investigado em um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, o empresário estava preso desde setembro de 2025.

A decisão, tomada após pedido da defesa e mantida sob sigilo, considera que o período de encarceramento ultrapassou o razoável e que não persistem os mesmos fundamentos para manter a prisão preventiva. Mendonça avaliou que medidas cautelares permitem a saída da unidade prisional sem risco às investigações.

A Polícia Federal aponta Camisotti como um dos principais integrantes do núcleo financeiro do esquema, que teria movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão por meio de entidades associativas e empresas ligadas a ele e a familiares. Segundo as apurações, organizações descontavam valores diretamente dos pagamentos de aposentados e pensionistas sem autorização dos beneficiários.

As investigações indicam que associações usavam acordos de cooperação com o INSS para incluir cobranças nos benefícios previdenciários, apresentadas como mensalidades associativas. Depois, os valores eram transferidos para empresas vinculadas aos investigados.

Camisotti foi preso na mesma operação que levou à detenção de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como um dos articuladores do esquema. A PF estima que as fraudes com descontos associativos possam ter causado prejuízo de bilhões de reais aos beneficiários da Previdência.

O empresário também negocia um acordo de colaboração premiada sobre o funcionamento do esquema e a participação de outros envolvidos. Uma primeira versão foi firmada com a Polícia Federal, mas a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu alterações e passou a participar diretamente das tratativas. A colaboração ainda depende de conclusão e posterior análise judicial.