O Banco Mundial manteve em 2,2% a projeção de crescimento da América Latina e do Caribe em 2026, após estimar expansão de 2,4% em 2025. Em atualização de outubro de seu relatório econômico para a região, a instituição apontou que países com políticas macroeconômicas consistentes, instituições mais fortes e reformas estruturais podem crescer acima da média, apesar dos juros altos e da incerteza global.
O documento destaca El Salvador e Paraguai, associando o desempenho dos países à melhora nas condições de segurança, à consolidação fiscal e ao investimento privado. Panamá e República Dominicana também são citados como casos de expansão robusta.
Para a Argentina, o Banco Mundial prevê crescimento por três anos consecutivos, de 2025 a 2027. Segundo a instituição, isso ocorreria pela primeira vez em quase duas décadas, com apoio do ajuste fiscal, de reformas tributárias e de maior abertura econômica.
IA e produtividade
A inteligência artificial é apontada como um possível vetor de produtividade, mas sua adoção na região ainda é superficial. Cerca de 17% dos adultos em idade ativa usam ferramentas de IA generativa, aproximadamente metade da proporção observada nos Estados Unidos e no Canadá.
De acordo com o relatório, os principais obstáculos não são o custo ou o acesso às ferramentas, mas a capacidade gerencial, a qualificação da mão de obra e a reorganização das empresas. A instituição estima que cerca de 8% da força de trabalho esteja em ocupações qualificadas que podem ser potencializadas pela IA. Perto de 10% atua em funções cognitivas rotineiras mais expostas à automação.
Em uma etapa posterior, a redução do custo da automação física pode atingir cerca de um quarto dos trabalhadores em funções manuais rotineiras.
Entre os riscos para a economia regional, o Banco Mundial menciona a volatilidade dos preços de energia, a dívida elevada, os juros reais altos e possíveis impactos do El Niño sobre a agricultura e a geração hidrelétrica.

