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Mundo

Alacero defende união latino-americana para disputar mercados com a China

Diretor-executivo da Alacero defende parcerias e investimentos para transferir cadeias de valor à América Latina e ampliar a competitividade do aço regional.

Alacero defende união latino-americana para disputar mercados com a China

Os países da América Latina deveriam atuar em conjunto para atrair investimentos e assumir maior protagonismo em mercados hoje controlados pela China, defendeu o diretor-executivo da Associação Latino-Americana do Aço (Alacero), Tavernelli. A proposta, segundo ele, é transferir para a região parte das cadeias de valor concentradas na Ásia.

Em entrevista durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizada na quarta-feira (30.set.2026), Tavernelli afirmou que os países latino-americanos dispõem de recursos e condições para atender necessidades globais, mas precisam buscar investimento estrangeiro e estabelecer parcerias para promover mudanças estruturais em suas indústrias.

O executivo citou Brasil, México, Colômbia e Argentina como países que poderiam aproveitar o cenário de guerra comercial liderado pelos Estados Unidos e acompanhado pela Europa para avançar na regionalização do comércio. “Essa regionalização é uma oportunidade imensa e histórica para a América Latina”, declarou.

“Temos que realocar a cadeia de valor, que estava na Ásia, para a América Latina e para os EUA, principalmente, temos que trabalhar em parceria com eles”, disse. Ele mencionou terras-raras, lítio, energia, espaço e alimentos entre os recursos disponíveis na região.

Na avaliação de Tavernelli, o setor privado deve liderar esse movimento e trabalhar com os governos para estabelecer os marcos regulatórios necessários. Ele defendeu que a iniciativa seja uma política de longo prazo, sem mudanças em razão de trocas de presidentes ou partidos no poder.

Importações de aço

O dirigente relacionou a proposta à situação da indústria siderúrgica latino-americana, que, segundo ele, vem sendo “agredida” por importações desleais, principalmente da China e do Sudeste Asiático. Tavernelli afirmou que esse movimento ocorre “no maior volume da história”.

De cada 10 quilos de aço consumidos na América Latina, 4 são importados; aproximadamente metade desse volume vem da China, de acordo com o executivo. Ele também disse que as exportações chinesas para a região cresceram 200% nos últimos 15 anos.

Apesar da concorrência, Tavernelli afirmou que a indústria latino-americana tem capacidade, tecnologia, instalações, mão de obra qualificada e ferramentas de inovação para competir com a China e fornecer aço ao mercado mundial.

O Congresso Aço Brasil 2026, em sua 36ª edição, é realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo, pelo Instituto Aço Brasil. O evento reúne representantes da indústria, especialistas e lideranças econômicas e empresariais em dois dias de programação.