Um artigo de opinião critica um vídeo publicado no Instagram por Lilia Moritz Schwarcz, historiadora e ocupante da cadeira 9 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no qual ela afirmou: “Gente, corre lá para fazer bastante Pix, porque daqui a pouco acabou”. Em seguida, completou: “Isso, se o Flávio ganhar”.
O autor sustenta que a fala não apresenta informação factual e a classifica como estratégia eleitoral baseada no medo. Para contestá-la, afirma que o Pix é operado pelo Banco Central, instituição com autonomia legal desde 2021, e que o sistema foi lançado em novembro de 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro. Também diz que a campanha de Flávio Bolsonaro declarou defender a gratuidade do Pix e rejeitar taxas sobre as transações.
O texto compara a publicação a uma controvérsia de 2020. Naquele ano, Schwarcz publicou na Folha de S.Paulo uma crítica ao álbum visual Black is King, de Beyoncé. O artigo foi intitulado com a acusação de que a cantora erraria ao “glamourizar a negritude”, e Schwarcz recebeu críticas nas redes sociais por abordar o tema sendo branca.
Em resposta no X, a historiadora escreveu: “Errei e peço desculpas aos feminismos negros e aos movimentos negros”. O artigo interpreta o episódio como uma renúncia ao debate sobre a obra e relaciona essa leitura ao conceito de falsa consciência do filósofo francês Joseph Gabel, apresentado em seu livro La Fausse Conscience, de 1962.
Na conclusão, o autor critica o uso da ABL como respaldo simbólico para declarações que considera falsas e defende que a instituição preserve sua missão ligada à língua e à literatura. O texto encerra com a afirmação de que “imortal” deveria ser a obra, não a mentira.

