Com folhas verdes e fácil adaptação a ambientes internos, a jiboia (Epipremnum aureum) é uma das plantas ornamentais mais populares do Brasil. Nos últimos anos, a espécie passou a chamar atenção por causa de pesquisas conduzidas pela NASA sobre a qualidade do ar em ambientes fechados, o que levou à circulação de informações relacionando a planta à prevenção de doenças.
Embora estudos tenham mostrado que a jiboia é capaz de absorver alguns poluentes presentes no ar, pesquisadores e órgãos de saúde ressaltam que ela não deve ser encarada como uma forma de prevenir ou tratar o câncer. A própria pesquisa analisou apenas o comportamento da planta diante de substâncias químicas em condições controladas de laboratório.
Estudo da NASA investigou a presença de poluentes em ambientes internos
A relação entre a jiboia e a purificação do ar ganhou notoriedade após a publicação do estudo Interior Landscape Plants for Indoor Air Pollution Abatement, realizado pela NASA em parceria com a Associação Nacional de Paisagistas dos Estados Unidos, em 1989.
O objetivo do trabalho era avaliar a capacidade de plantas ornamentais de remover compostos orgânicos voláteis presentes em locais fechados, como escritórios, casas e futuras estações espaciais. Nos testes, as espécies foram colocadas em câmaras seladas para medir sua eficiência na absorção de diferentes substâncias.
Entre os compostos analisados estavam:
- Formaldeído, encontrado em móveis, tecidos e produtos de limpeza;
- Benzeno, presente em combustíveis, plásticos e tintas;
- Tricloroetileno, utilizado em solventes industriais;
- Xileno e amônia, comuns em materiais de construção e produtos de limpeza.
A jiboia apareceu entre as plantas com melhor desempenho nos experimentos realizados em laboratório.
Compostos analisados podem representar riscos à saúde
Parte das substâncias estudadas pela NASA é classificada como cancerígena ou potencialmente cancerígena quando há exposição prolongada e em determinadas concentrações.
O formaldeído, por exemplo, integra a lista de agentes cancerígenos da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Já o benzeno é associado ao aumento do risco de alguns tipos de câncer, especialmente doenças que afetam o sangue.
No entanto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que o câncer é uma doença multifatorial, influenciada por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Entre os principais fatores de risco estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, a exposição solar sem proteção e o contato frequente com determinados agentes químicos.
Pesquisadores questionam os efeitos em ambientes reais
Apesar dos resultados obtidos pela NASA, cientistas afirmam que os testes foram realizados em condições muito diferentes das encontradas em residências e escritórios.
Em 2019, um estudo publicado na revista científica Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology revisou dezenas de pesquisas sobre plantas e qualidade do ar. Os autores concluíram que seriam necessárias centenas de plantas por metro quadrado para reproduzir, em ambientes reais, os mesmos efeitos observados nos laboratórios.
Os pesquisadores ressaltam que a ventilação adequada e a redução das fontes de poluição continuam sendo medidas mais eficazes para melhorar a qualidade do ar em locais fechados.
Ventilação e controle da poluição seguem como principais recomendações
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) recomenda medidas como manter portas e janelas abertas sempre que possível, controlar a umidade dos ambientes e reduzir o uso de produtos químicos agressivos.
Nesse contexto, plantas ornamentais podem contribuir para o conforto e o bem-estar, mas não substituem soluções estruturais para melhorar a qualidade do ar.
Além da possível contribuição para a filtragem de alguns poluentes, a jiboia se destaca pela facilidade de cultivo. A espécie tolera ambientes com pouca iluminação, exige poucos cuidados e pode ser cultivada em vasos ou jardins verticais.
Especialistas alertam, porém, que a planta pode ser tóxica para cães e gatos caso seja ingerida, devido à presença de cristais de oxalato de cálcio em suas folhas e caules.
![A planta ligada a pesquisas da NASA chamou atenção em estudos, mas não deve ser tratada como cura para o câncer [Alt Padrão]](https://i0.wp.com/nordeste7.com.br/wp-content/uploads/2026/07/como-cuidar-da-jiboia-verde.webp.webp?resize=420%2C280&ssl=1)