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A cidade que quer transformar uma louça centenária em atração turística prepara até um prato gigante no Chile

Uma cidade chilena conhecida por sua tradição na fabricação de louças está apostando na própria história para impulsionar o turismo. Localizada na região de Biobío, Penco iniciou um projeto para valorizar o legado da antiga fábrica Fanaloza, responsável por produzir algumas das peças de cerâmica…

Artesãos exibindo a confecção de um prato gigante de cerâmica tradicional em uma cidade no Chile.
Município chileno aposta na herança cultural da louça centenária para atrair visitantes, incluindo a criação de um prato monumental.

Uma cidade chilena conhecida por sua tradição na fabricação de louças está apostando na própria história para impulsionar o turismo. Localizada na região de Biobío, Penco iniciou um projeto para valorizar o legado da antiga fábrica Fanaloza, responsável por produzir algumas das peças de cerâmica mais conhecidas do país durante mais de um século.

Entre as iniciativas estão a instalação de um prato gigante inspirado no icônico modelo Willow, a busca pelo reconhecimento da Denominação de Origem da louça produzida na cidade e a consolidação do Museu da Loza como um novo atrativo cultural. A estratégia busca transformar um patrimônio industrial em motor de desenvolvimento econômico e turístico.

Prato gigante será novo símbolo turístico de Penco

Uma das ações mais chamativas do projeto é a instalação de uma réplica do tradicional prato Willow, que terá cerca de seis metros de diâmetro e ficará em frente ao Museu da Loza.

A peça homenageia um dos desenhos mais emblemáticos da antiga Fanaloza, criado pelo artista chileno Roberto Benavente. Inspirado no clássico padrão inglês Blue Willow, o modelo produzido em Penco ganhou características próprias e passou a fazer parte da memória afetiva de milhões de famílias chilenas ao longo do século XX.

Cidade busca reconhecimento oficial para proteger a tradição cerâmica

Além do monumento, a prefeitura deu início a um estudo técnico, histórico e comunitário para solicitar ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INAPI) a Denominação de Origem da Loza de Penco.

O projeto, financiado pelo Fundo do Patrimônio Cultural do Chile, reúne documentos históricos, depoimentos de antigos trabalhadores e análises das argilas utilizadas na produção das peças. O objetivo é comprovar que a cerâmica da cidade possui características únicas ligadas ao território e à tradição local, garantindo proteção legal ao produto e fortalecendo sua identidade cultural.

Museu reúne centenas de peças produzidas pela antiga Fanaloza

A valorização desse patrimônio também passa pelo Museu da Loza, instalado no antigo Museu Histórico de Penco.

O espaço reúne centenas de peças doadas por moradores, ex-funcionários e colecionadores, incluindo pratos, xícaras, travessas e exemplares da porcelana Bone China, considerada uma das linhas mais sofisticadas produzidas pela fábrica. O acervo também preserva moldes, catálogos, fotografias e documentos que contam a trajetória da indústria cerâmica na região.

Fábrica marcou a história da cidade por mais de um século

A produção de cerâmica em Penco começou em 1899 e ganhou força nas décadas seguintes com a criação da Fábrica Nacional de Loza, conhecida como Fanaloza.

Durante boa parte do século XX, a empresa abasteceu lares em todo o Chile e chegou a exportar peças para outros países. Entre seus produtos mais conhecidos estava o prato Willow versão Penco, que se tornou um dos maiores símbolos da cerâmica chilena.

Após enfrentar crises econômicas e mudanças no mercado, a fábrica encerrou a produção de louças domésticas no fim dos anos 1990 e, posteriormente, fechou definitivamente suas operações industriais em 2023. Desde então, a cidade vem investindo na preservação dessa memória como forma de fortalecer o turismo cultural.

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