Um relatório reservado elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento também alerta para uma tendência de aumento da pressão norte-americana sobre o Brasil.
Encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, o relatório classifica a possibilidade de interferência externa com “nível de criticidade”. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil.
Segundo a avaliação da Abin, a reafirmação da hegemonia dos Estados Unidos na América Latina seria uma prioridade do segundo governo de Donald Trump. O objetivo, conforme o documento, seria afastar rivais como a China de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas da região.
Pressão econômica e política
O relatório aponta que as ações dos Estados Unidos contra o Brasil se intensificaram nos últimos meses. Além da questão eleitoral, o país foi alvo de tarifas e outras medidas consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.
As tarifas sobre produtos brasileiros chegaram a alcançar 50% após uma ordem executiva assinada por Trump em 30 de julho. Posteriormente, foram anunciadas sobretaxas de 25% e 12,5%, e parte das exportações brasileiras passou a poder ser tributada em até 37,5%.
Apesar das divergências, o governo brasileiro busca preservar as relações diplomáticas e comerciais. Lula afirma que mantém boa relação pessoal com Trump, embora também critique medidas do presidente norte-americano. Os dois devem participar da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, mas não há encontro bilateral marcado.
