Publicações que incentivam demissões por causa do voto de empregados começaram a circular nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O artigo questiona a prática por seus possíveis efeitos econômicos, morais e legais.
Na avaliação econômica apresentada no texto, usar a preferência política como critério para uma função sem relação com o voto pode prejudicar a qualidade do serviço e a eficiência. Com base em Milton Friedman, autor de Capitalismo e Liberdade, o artigo argumenta que empresários que discriminam por fatores alheios à produtividade arcam com os custos dessa escolha e podem ser penalizados pelo mercado. Também alerta que trabalhadores podem ocultar ou mentir sobre seu voto para conseguir uma vaga, comprometendo a confiança.
“Eu sou absolutamente contra demissões em razão de ideologia política. Já tive excelentes funcionários e sócios de diferentes ideologias”, afirma Samer Agi, ex-juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e empresário.
O texto relaciona a dispensa por voto à “acepção de pessoas”, conceito que Tomás de Aquino associa a uma injustiça. Também recorre ao filósofo Alasdair MacIntyre para argumentar que instituições se corrompem quando priorizam poder, prestígio ou dinheiro em detrimento da excelência no trabalho.
Sobre a dimensão legal, o artigo cita o artigo 5º, inciso VIII, da Constituição, segundo o qual ninguém será privado de direitos por motivo de convicção política.
Ressalva que não há lei específica sobre o tema e afirma que a Justiça do Trabalho tem tratado dispensas motivadas por convicções políticas como discriminatórias. A conclusão defendida é que a competência, e não o voto, deve orientar escolhas profissionais.

