Viajar de trem entre diferentes países europeus ainda exige que muitos passageiros utilizem plataformas distintas para comprar bilhetes e organizar conexões. Em diversos trajetos internacionais, a falta de integração entre as operadoras obriga os usuários a realizar várias reservas separadas e a lidar com regras diferentes em cada etapa da viagem.
Uma proposta em discussão na União Europeia pretende simplificar esse processo. A iniciativa prevê a criação de um sistema integrado de venda de passagens, permitindo que todo o percurso seja emitido em um único bilhete, mesmo quando a viagem envolver diferentes empresas ferroviárias.
O objetivo é facilitar o planejamento das viagens e reduzir as dificuldades enfrentadas pelos passageiros em deslocamentos internacionais. A proposta também prevê que a compra possa ser feita tanto nos canais oficiais das companhias quanto em plataformas digitais independentes.
Projeto amplia direitos dos passageiros e incentiva transporte de menor impacto ambiental
Um dos principais pontos da proposta envolve o reforço das garantias aos passageiros em viagens internacionais. Caso ocorram atrasos ou perda de conexões por responsabilidade das operadoras, o bilhete integrado dará acesso a assistência durante o trajeto. As medidas incluem possibilidade de realocação em outros trens, reembolso de valores, compensações financeiras e, em determinadas situações, custeio de alimentação ou hospedagem.
As novas regras também preveem maior transparência na venda das passagens. As plataformas deverão apresentar informações de forma clara, incluindo tarifas, horários e dados sobre as emissões de carbono de cada rota.
A estratégia faz parte das metas ambientais da União Europeia, que busca ampliar o uso do transporte ferroviário como alternativa a viagens de avião em trajetos de curta e média distância e ao uso de automóveis particulares.
Investimentos na malha ferroviária preveem redução do tempo de viagem
A proposta acompanha os projetos de modernização da infraestrutura ferroviária europeia. O planejamento prevê a ampliação das linhas internacionais de alta velocidade e investimentos em sistemas de sinalização e operação. Entre as metas está a operação de trens com velocidade mínima de 160 km/h em rotas consideradas estratégicas. Grande parte das obras previstas deve ser concluída até 2040.
Algumas ligações internacionais já têm projetos de redução do tempo de viagem. O trajeto entre Berlim e Copenhague deverá passar de 7 para 4 horas até o fim da década.
Na região sudeste do continente, a ligação entre Sófia e Atenas também deverá ter redução significativa no tempo de deslocamento.
Os planos incluem ainda novas conexões ferroviárias entre os países bálticos e uma rota internacional ligando Paris, Madri e Lisboa. A expectativa é que a combinação entre infraestrutura e integração digital torne as viagens de trem mais simples e atrativas em diferentes regiões da Europa.
