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Uma palavra pouco conhecida entrou no vocabulário, mas o significado depende de onde ela foi registrada

A palavra “nomofobia” passou a integrar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) em 2020, consolidando oficialmente um termo que já vinha sendo utilizado por pesquisadores e profissionais da saúde para descrever o medo intenso de ficar sem acesso ao telefone celular ou à conexão…

Foto em close-up de uma página de dicionário aberto com foco em termos impressos, simbolizando a pesquisa de novos vocábulos e significados.
A incorporação de novos termos ao vocabulário revela como o significado de uma palavra pode mudar drasticamente conforme a região do registro.

A palavra “nomofobia” passou a integrar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) em 2020, consolidando oficialmente um termo que já vinha sendo utilizado por pesquisadores e profissionais da saúde para descrever o medo intenso de ficar sem acesso ao telefone celular ou à conexão digital.

A inclusão foi feita pela Academia Brasileira de Letras (ABL), responsável pela elaboração do Volp, obra que reúne a grafia oficial das palavras da língua portuguesa no Brasil. A presença do termo no vocabulário, no entanto, não significa que ele represente um diagnóstico médico reconhecido.

Nesse ponto, o significado varia conforme o contexto em que a palavra é utilizada.

No Volp, “nomofobia” é registrada como um verbete da língua portuguesa. Já na área da saúde mental, o termo é empregado para descrever um comportamento ou um conjunto de sintomas relacionados à ansiedade diante da impossibilidade de usar o celular, mas não aparece como transtorno específico nos principais manuais internacionais de diagnóstico psiquiátrico.

Termo surgiu com a popularização dos smartphones

A palavra tem origem na expressão inglesa no mobile phone phobia, posteriormente abreviada para nomophobia. O conceito começou a ganhar espaço à medida que smartphones passaram a concentrar funções que antes dependiam de diferentes dispositivos, como comunicação, serviços bancários, navegação, entretenimento e acesso ao trabalho.

Com essa mudança, especialistas passaram a observar que algumas pessoas demonstravam desconforto significativo quando ficavam sem bateria, sem sinal de internet ou impossibilitadas de acessar o aparelho por qualquer motivo.

Embora o termo tenha se popularizado, psicólogos ressaltam que sentir incômodo ocasional ao esquecer o celular ou ficar temporariamente desconectado não caracteriza, por si só, um problema de saúde mental.

A preocupação surge quando esse comportamento interfere na rotina, nas relações pessoais ou provoca sofrimento intenso.

Língua incorpora palavras à medida que a sociedade muda

A entrada de “nomofobia” no Volp também ilustra como a língua portuguesa acompanha transformações sociais e tecnológicas. Nos últimos anos, diversas palavras ligadas ao ambiente digital passaram a fazer parte do vocabulário cotidiano e acabaram sendo incorporadas aos registros oficiais.

Expressões como “selfie”, “algoritmo” e “engajamento”, por exemplo, deixaram de circular apenas em ambientes especializados e passaram a ser usadas com frequência em diferentes contextos, refletindo mudanças na forma como as pessoas se comunicam e interagem.

A inclusão de um termo no Volp não representa uma recomendação de uso nem um reconhecimento científico sobre determinado fenômeno.

O objetivo da obra é registrar palavras que já apresentam uso consolidado na língua, acompanhando a evolução do português conforme novos hábitos, tecnologias e formas de comunicação se tornam parte do cotidiano.

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