O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou a suspensão do canal público “Exército do Lula”, no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A ordem atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e prevê que a plataforma cumpra a decisão em até três horas após a notificação oficial.
Até a homologação do resultado do segundo turno das Eleições 2026, estão proibidas novas publicações e a entrada de seguidores no canal, que, segundo a decisão, reúne mais de 3 milhões de inscritos.
Na avaliação de Nunes Marques, o espaço funcionava como estrutura de comando centralizado para replicar rapidamente e de forma coordenada conteúdos falsos e desinformação eleitoral já banidos pela Justiça Eleitoral. A representação da chapa de Flávio Bolsonaro citou publicações com acusações de suposta ligação do candidato com grupos milicianos, intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e planos de cortes em aposentadorias, no BPC e no reajuste do Bolsa Família.
O ministro afirmou que a liberdade de expressão não protege a disseminação maliciosa de notícias falsas para desequilibrar a eleição. Segundo ele, a remoção de mensagens isoladas se mostrou ineficaz diante da velocidade de propagação. A determinação se limita ao canal e não bloqueia as contas pessoais do parlamentar.
A Meta, proprietária do WhatsApp, deverá informar em 48 horas as medidas adotadas e apontar a existência de eventuais outros canais vinculados a Janones no aplicativo. Também terá de preservar por pelo menos um ano registros de acessos, mensagens e metadados do canal, para subsidiar eventuais investigações eleitorais.
O TSE adiou a análise de uma possível suspensão total do perfil de Janones no recurso de canais, condicionando-a ao envio dos dados solicitados à plataforma. A coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão e afirmou que avalia medidas jurídicas cabíveis.
Após a ordem, Janones divulgou áudios no canal convocando seguidores a compartilhar um vídeo em que contesta o entendimento do TSE. Ele declarou que “a censura já começou” e anunciou a criação de uma nova página no Instagram para dar continuidade às mobilizações.

