A forte volatilidade nos juros levou o Tesouro Direto a suspender temporariamente as negociações de títulos públicos nesta segunda-feira (26), após a reeleição de Luiz Inácio Lula (PT) provocar turbulência no mercado financeiro brasileiro. Até as 11h14, a plataforma informava que estava “em manutenção”.
A Bolsa também interrompeu as operações por 30 minutos, após a B3 acionar um circuit breaker. Na retomada, o Ibovespa chegou a registrar queda próxima de 17%. O dólar e os juros futuros dispararam.
Em comunicado exibido na plataforma, o Tesouro Direto informou que o fechamento ocorreu “devido à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã”. A expectativa apresentada era de normalização ao longo do dia.
A suspensão de negociações de títulos públicos pode ocorrer diante de oscilações intensas e distorções nos preços, em mecanismo semelhante ao circuit breaker da Bolsa.
Taxas antes da eleição
Na sexta-feira, antes da votação, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 12,76% ao ano, e o Prefixado 2032, 12,89%. Entre os títulos indexados à inflação, as taxas eram de 6,72% ao ano para o IPCA+ 2032, 6,53% para o IPCA+ 2040 e 6,42% para o IPCA+ 2050.
O resultado eleitoral ficou diferente do que parte do mercado havia precificado antes da votação. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,26 milhões, contra 48,21% e 59,83 milhões de votos de Flávio Bolsonaro (PL).
Na sexta-feira, os juros futuros haviam fechado próximos da estabilidade, ainda sob expectativa de vitória de Flávio. Após a apuração, os contratos passaram por um ajuste intenso. O dólar abriu a R$ 5,4247, alta de 8,64%, e chegou a R$ 5,6047 durante a manhã. O Ibovespa futuro recuava mais de 14%.

