
O Tesouro Direto encerrou 2025 com o maior volume de investimentos de sua história, consolidando-se como uma das principais escolhas do investidor brasileiro em um cenário de juros elevados e maior cautela com ativos de risco.
Segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional, o total aplicado no programa alcançou R$ 89,3 bilhões no ano, um crescimento expressivo de 31,5% em relação a 2024, quando o volume somou R$ 67,9 bilhões.
O avanço não se restringiu ao valor financeiro. O número de operações também bateu recorde, chegando a 10,6 milhões, alta de 15,2% na comparação anual. Os dados reforçam uma tendência clara: cada vez mais brasileiros estão utilizando os títulos públicos como alternativa para proteger o patrimônio e buscar rentabilidade previsível.
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Tesouro Direto consolida crescimento em dezembro
O desempenho histórico foi confirmado após a consolidação dos números de dezembro de 2025. Apenas nesse mês, os investimentos somaram R$ 9,48 bilhões, o segundo maior valor mensal já registrado pelo programa, ficando atrás apenas de março de 2025, quando os aportes chegaram a R$ 11,69 bilhões.
O volume de operações em dezembro também chamou atenção, com quase 1,2 milhão de aplicações realizadas, reforçando o aumento do interesse mesmo no fim do ano, período tradicionalmente marcado por maior consumo das famílias.
Estoque supera R$ 213 bilhões
Além do recorde em vendas, o estoque total do Tesouro Direto — que representa o valor total investido pelos brasileiros — alcançou R$ 213,2 bilhões ao final de 2025. O montante representa um crescimento de 35,9% em relação a dezembro de 2024 e de 3,8% frente ao mês anterior.
Esse avanço reflete não apenas novos aportes, mas também a valorização dos títulos em um ambiente de juros elevados, cenário que favorece especialmente os papéis indexados à inflação e à taxa básica.
Juros altos impulsionam procura por títulos públicos
O principal fator por trás do recorde do Tesouro Direto em 2025 foi a manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Em maio do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica para 15%, o maior nível desde 2006.
Esse movimento tornou os títulos públicos extremamente atrativos, sobretudo quando comparados a investimentos de maior risco, como ações e crédito privado.
Tesouro Selic lidera as vendas
Os títulos atrelados à Selic foram os mais procurados no período, respondendo por R$ 4,9 bilhões em vendas apenas no mês de dezembro, o equivalente a 51,5% do total negociado. Na sequência aparecem os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+, com R$ 3,4 bilhões (36%), e os prefixados, que somaram R$ 1,2 bilhão (12,5%).
De acordo com analistas do mercado financeiro, o ambiente de juros elevados elevou os prêmios reais oferecidos pelos papéis públicos, estimulando a migração de investidores que buscavam segurança e previsibilidade.
Títulos indexados à inflação dominam o estoque
Quando se observa o estoque total do Tesouro Direto, os títulos corrigidos pela inflação lideram com folga. Eles somam cerca de R$ 107 bilhões, o equivalente a 50,2% de todo o volume investido no programa.
Os títulos atrelados à Selic aparecem em seguida, com R$ 79,3 bilhões (37,2%), enquanto os prefixados representam R$ 26,9 bilhões, ou 12,6% do total. O dado mostra que, no longo prazo, o investidor brasileiro prioriza proteção contra a inflação, especialmente em cenários de incerteza econômica.
Por que o Tesouro Direto ganhou tanto espaço?
O crescimento do Tesouro Direto não é resultado apenas da taxa de juros elevada. Outros fatores estruturais ajudam a explicar o avanço do programa.
Acessibilidade e baixo risco
O Tesouro Direto permite aplicações a partir de valores baixos, o que democratiza o acesso ao investimento. Além disso, os títulos são garantidos pelo Governo Federal, sendo considerados os ativos de menor risco de crédito da economia brasileira.
Educação financeira e digitalização
Nos últimos anos, houve um avanço significativo na educação financeira e no acesso a plataformas digitais. Bancos e corretoras passaram a oferecer o Tesouro Direto de forma simples, integrada a aplicativos, o que facilitou a entrada de novos investidores.
O que esperar do Tesouro Direto em 2026
A expectativa do mercado é de que o Tesouro Direto continue relevante em 2026, mesmo que o Banco Central inicie um ciclo gradual de redução da Selic. Especialistas avaliam que, ainda assim, os títulos públicos devem seguir oferecendo rentabilidade competitiva, especialmente os indexados à inflação.
Além disso, fatores políticos e econômicos, como o cenário eleitoral e as diretrizes fiscais do governo até 2027, tendem a manter a cautela dos investidores, favorecendo aplicações mais conservadoras.
Para o investidor brasileiro, o Tesouro Direto segue cumprindo um papel estratégico: preservar o poder de compra, oferecer previsibilidade e funcionar como base sólida para qualquer carteira de investimentos.
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