O avanço da inteligência artificial vem mudando a forma como investidores enxergam o setor de tecnologia. Empresas ligadas a software, serviços digitais, pagamentos e infraestrutura tecnológica passaram a ocupar espaço maior nas estratégias de quem procura crescimento, mas algumas também chamam atenção pela capacidade de remunerar os acionistas.
Na B3, esse movimento aparece de maneira interessante entre empresas de tecnologia e serviços financeiros. Um levantamento da Elos Ayta, considerando companhias com volume médio diário superior a R$ 1 milhão nos 12 meses anteriores, mostrou diferenças expressivas no dividend yield acumulado até 31 de agosto de 2026.
Entre os nomes avaliados, a CSU Digital (CSUD3) apresentou o maior dividend yield, com 12,45%. O resultado colocou a companhia à frente de Bemobi Tech, Lwsa, B3, Totvs e Meliuz no recorte analisado.
Leia mais:
2026 está chegando: confira quais empresas vão distribuir dividendos
CSU Digital lidera ranking de dividendos
O desempenho da CSU Digital chama atenção porque o mercado costuma associar empresas de tecnologia a negócios voltados principalmente para expansão e reinvestimento dos lucros.
No levantamento, a CSU registrou dividend yield de 12,45% até o fim de agosto. Na sequência apareceram Bemobi Tech, com 9,90%, Lwsa, com 7,22%, B3, com 5,81%, e Totvs, com 1,58%. A Meliuz ficou com 0% no período considerado.
O dividend yield é uma das métricas utilizadas para comparar a remuneração recebida pelo acionista em relação ao preço da ação. Na prática, um percentual elevado pode indicar uma distribuição relevante de proventos, mas não significa, isoladamente, que a empresa seja necessariamente um investimento melhor.
Isso acontece porque o indicador pode aumentar tanto por pagamentos elevados quanto por uma queda no preço da ação. Por isso, quem procura ações para receber dividendos precisa observar também lucro, geração de caixa, endividamento, histórico de distribuição e perspectivas para o negócio.
Resultado supera referências do mercado
Segundo o mesmo levantamento, a CSU Digital também ficou acima das medianas calculadas para diferentes referências do mercado. O dividend yield de 12,45% superou a mediana de 10,02% do IDIV, índice da B3 voltado a companhias que se destacam pela remuneração dos investidores.
O resultado também ficou acima das medianas de 5,39% do Ibovespa e de 4,06% das small caps no período analisado.
O IDIV é uma referência importante para esse tipo de comparação. A B3 explica que o índice acompanha o desempenho de ativos que se destacam pela remuneração dos investidores por meio de dividendos e juros sobre capital próprio. A carteira é revisada periodicamente de acordo com critérios específicos de elegibilidade e ponderação.
Histórico de distribuição aumenta interesse pela CSUD3

Outro ponto que ajuda a explicar a atenção sobre a CSU é o histórico de distribuição de resultados.
De acordo com o levantamento, a empresa distribuiu nos últimos cinco anos pelo menos 50% do lucro líquido em proventos, percentual superior ao mínimo previsto em seu estatuto. Em 2025, a remuneração aos acionistas também foi reforçada por R$ 50 milhões em dividendos extraordinários, levando o total distribuído naquele ano a R$ 97,1 milhões.
Para o investidor, a recorrência é especialmente relevante. Um dividend yield elevado em apenas um exercício não necessariamente representa uma fonte sustentável de renda. Já uma política consistente de distribuição, quando acompanhada por resultados e geração de caixa adequados, pode tornar a ação mais interessante para estratégias de longo prazo.
A CSU também trabalha com distribuição periódica de juros sobre capital próprio, o que pode proporcionar maior previsibilidade ao acionista. Os pagamentos, entretanto, dependem das deliberações dos órgãos competentes da companhia e das condições financeiras do negócio.
Quais outras ações de tecnologia pagam dividendos?
O levantamento mostra que a tecnologia na B3 não é formada apenas por empresas que priorizam crescimento.
A Bemobi Tech aparece com dividend yield de 9,90%, enquanto a Lwsa alcançou 7,22% no acumulado até agosto. Entre empresas de maior porte, a B3 registrou 5,81%, enquanto a Totvs apresentou 1,58%.
A diferença entre os números evidencia que tamanho e capacidade de distribuição não caminham necessariamente juntos. Empresas menores podem apresentar yields elevados em determinados períodos, embora também possam estar sujeitas a maior volatilidade e menor liquidez.
Além disso, a própria composição dos índices de dividendos muda ao longo do tempo. Em setembro de 2026, por exemplo, a nova carteira do IDIV passou a reunir 51 ativos de 47 empresas, com entradas e saídas de diferentes companhias.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
Conteúdo publicado originalmente em Seu Crédito Digital. Reprodução parcial ou total proibida sem autorização expressa.
