Um possível caso de gripe aviária está sendo investigado em uma propriedade de subsistência no município de Salitre, na região do Cariri, no Ceará. A informação foi publicada no mapa de monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), atualizado diariamente. A investigação está sob responsabilidade da Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri).
O caso ocorre em uma criação de aves de fundo de quintal, sem fins comerciais. A Adagri já coletou amostras no local e aguarda o resultado laboratorial. O material está sendo analisado por um laboratório oficial do Mapa, em São Paulo.
Ceará segue sem casos confirmados
Em nota, a Adagri informou que o Ceará continua sem registros confirmados da gripe aviária. Desde que o Mapa decretou emergência zoossanitária nacional em 2023, foram registrados 22 atendimentos a notificações suspeitas no estado. Dessas, 13 resultaram em coletas para análise laboratorial. Nenhuma teve resultado positivo até o momento.
A agência afirma que mantém a vigilância ativa em criações domésticas e comerciais. Os procedimentos incluem coleta de sangue, swab de traqueia e de cloaca. As ações buscam identificar sinais do vírus da gripe aviária ou da doença de Newcastle, outra infecção viral com sintomas semelhantes.
Investigação não envolve granja comercial
A propriedade investigada não atua na comercialização de aves. Por isso, o caso não envolve uma granja comercial. Ainda assim, as autoridades reforçaram a importância da adoção de medidas de biosseguridade tanto por produtores tecnificados quanto por pequenos criadores.
Entre as recomendações estão: adquirir aves apenas de criadouros registrados pela Adagri, evitar compras em feiras livres sem controle sanitário e restringir o acesso de pessoas e animais às áreas de criação.
Casos também são investigados em outros estados
Além do Ceará, outras cinco investigações estão em andamento no Brasil. Entre os locais monitorados estão os municípios de Ipumirim (SC) e Aguiarnópolis (TO). As análises fazem parte do monitoramento da Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves (SRN), que inclui tanto a gripe aviária quanto a doença de Newcastle.
Confirmação em granja comercial no RS
O primeiro caso confirmado de gripe aviária H5N1 em granja comercial ocorreu no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, em 15 de maio de 2024. No local, o governo destruiu caixas de ovos e equipamentos para conter a propagação do vírus.
No dia 17 de maio, o Ministério da Agricultura anunciou o rastreamento dos ovos de incubação provenientes da granja. Os ovos foram enviados para Minas Gerais, Paraná e outras cidades do Rio Grande do Sul. Todo o material será descartado.
Exportações de frango foram suspensas
A confirmação do caso em Montenegro provocou a suspensão das exportações de frango do Brasil para diversos países. A medida foi adotada por nações que mantêm exigências sanitárias rigorosas. Os principais destinos afetados incluem:
- China
- União Europeia
- Argentina
- Uruguai
- Chile
- México
- Arábia Saudita
- Japão (somente para aves de Montenegro)
- África do Sul
- Canadá
- Coreia do Sul
- Emirados Árabes Unidos (restrição apenas à área afetada)
- Filipinas (restrição à área afetada)
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a China é o maior comprador de aves brasileiras, seguida por Emirados Árabes Unidos e Japão. O Brasil é atualmente o maior exportador de frango do mundo e o terceiro maior produtor global.
Vigilância será mantida em todas as regiões
As autoridades continuam monitorando criações de aves em todas as regiões do país. O foco é detectar rapidamente possíveis infecções e conter a propagação do vírus.
A Adagri reforça que medidas preventivas são essenciais. O órgão alerta para o risco de contaminação cruzada, principalmente em locais com baixa estrutura sanitária. Qualquer suspeita deve ser imediatamente notificada.
