O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment de Santiago Peña por 44 votos, o total de parlamentares presentes. A Casa tem 45 cadeiras, mas um senador não compareceu. Com a condenação, Peña perde o mandato e deixa de ter direito à condição de senador vitalício.
Após a votação, Peña foi preso pela Polícia Federal paraguaia, segundo registro da imprensa internacional. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência e completará o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028. Manifestantes comemoraram a decisão na Plaza de Armas, em Assunção.
Crise ligada ao banco ueno
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai liquidou o banco digital ueno. O regulador apontou falta de recursos para cobrir as obrigações da instituição, problemas em operações de crédito e irregularidades na contabilização de ativos. Empréstimos a empresas ligadas ao banco também foram questionados.
O ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. A oposição alegou conflito de interesses e, entre outras acusações, apontou manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários.
A Câmara aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo contra Peña. O pedido contra Alliana foi rejeitado. Horas depois de divulgar uma carta de renúncia, Peña permaneceu no cargo porque o Congresso não aceitou o pedido; o Senado prosseguiu com o julgamento.
Julgamento e investigações
O Senado rejeitou por 39 votos a 3, com duas abstenções, o pedido de adiamento da defesa por 72 horas. Peña não compareceu à sessão; os advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro contestaram a validade do processo e alegaram desrespeito à ampla defesa. A comissão acusadora afirmou que as denúncias se apoiavam em documentos oficiais.
Eram necessários 30 votos para a condenação. O Ministério Público paraguaio abriu investigações criminais envolvendo Peña, Alliana e autoridades do Banco Central. A defesa informou que pode recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos.

