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Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA pode enfraquecer oposição, avaliam analistas

Analistas dizem que a viagem afastou Flávio Bolsonaro de partidos que o apoiavam e pode abrir espaço para uma relação mais pragmática entre Lula e a direita.

Saída de Flávio Bolsonaro para os EUA pode enfraquecer oposição, avaliam analistas

A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos pode enfraquecer a oposição no Congresso e favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo analistas políticos e autoridades brasileiras ouvidos pela Reuters.

A avaliação é que o senador se afastou de partidos que o apoiavam e abriu espaço para uma relação mais pragmática entre o governo e os demais grupos de direita.

Flávio viajou após se recusar a cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes. Ele afirma, sem apresentar provas, que houve fraude eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), partidos envolvidos no pleito — inclusive o PL — e líderes mundiais reconheceram a vitória de Lula por 4,4 milhões de votos.

Rodrigo Russo, sócio da consultoria Control Risks em São Paulo, avaliou que Lula se beneficia da saída do senador. Uma fonte do Palácio do Planalto disse que a decisão inicial do ministro Alexandre de Moraes de reter os passaportes foi considerada precipitada, mas que a viagem de Flávio afastou o temor de que a medida fosse vista como perseguição política.

Disputa pela liderança da direita

Partidos que apoiaram Flávio, como o União Brasil, e o PSD, que ficou neutro no segundo turno, liberaram integrantes para participar do governo, se desejarem. Para Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, esse movimento pode abrir espaço para diálogo. Analistas também apontam um vácuo na liderança da direita.

Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por planejar um golpe em 2022. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos e provavelmente não retornará ao Brasil. Michelle Bolsonaro, eleita senadora neste mês, começa sua atuação no Congresso. Valdemar Costa Neto publicou uma foto ao lado dela e disse que conversaram sobre o futuro do PL.

Reflexos nas relações com os EUA

A viagem também pode dar credibilidade às acusações de Lula de que os Estados Unidos apoiaram indevidamente a candidatura de Flávio, segundo analistas. Em julho de 2025, Washington anunciou a revogação dos vistos de oito ministros do STF e tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando uma suposta perseguição a Jair Bolsonaro.

O governo brasileiro ainda não reagiu às informações de que os governos de Donald Trump e Javier Milei teriam ajudado na saída de Flávio. Uma fonte palaciana disse que o governo aguardaria as eleições de meio de mandato nos EUA antes de reavaliar as relações bilaterais.