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Rússia ameaça usar armas nucleares se Otan tentar isolar Kaliningrado

Moscou advertiu que poderá usar armas nucleares se a Otan tentar bloquear a ligação de Kaliningrado com o restante da Rússia. A aliança rejeitou a ameaça.

Rússia ameaça usar armas nucleares se Otan tentar isolar Kaliningrado

A Rússia afirmou que poderá usar armas nucleares caso algum país da Otan tente interromper a ligação de Kaliningrado com o restante do território russo. A ameaça foi registrada em uma nota diplomática enviada por Moscou aos integrantes da aliança e divulgada nesta quarta-feira, 30.

No documento, o governo russo diz que está disposto a recorrer a “todo o arsenal” disponível para defender a região, situada entre Polônia e Lituânia, às margens do Mar Báltico. Moscou também acusa a Otan de adotar uma política que poderia aumentar o risco de um conflito militar direto.

Moscou cita possível bloqueio

A nota afirma que a Rússia tem informações de que a aliança estaria preparando um bloqueio aéreo e naval de Kaliningrado. O território é um exclave, separado fisicamente da Rússia continental e localizado entre dois países integrantes da Otan.

Kaliningrado abriga estruturas militares russas, entre elas a Frota do Báltico e sistemas de mísseis Iskander com capacidade nuclear. Moscou também mencionou a possibilidade de atacar centros de decisão de países da aliança desde o início de um eventual conflito. O documento é descrito como uma nota diplomática informal e não constitui uma declaração formal de guerra.

Otan diz não ameaçar a Rússia

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, respondeu às declarações nesta quarta-feira. Ele afirmou que a aliança tem caráter defensivo e não pretende ameaçar o território russo. Rutte classificou a ameaça nuclear como inadequada, pediu que Moscou interrompa as declarações sobre o uso de armas atômicas e disse não considerar iminente um confronto direto entre Rússia e Otan.

A troca de declarações ocorre em meio ao aumento das atividades militares no Mar Báltico. A região ganhou importância estratégica após a entrada de Finlândia e Suécia na Otan, que ampliou a presença da aliança no entorno russo. Exercícios militares e episódios envolvendo embarcações e aeronaves também elevaram a tensão entre Moscou e países europeus. A guerra na Ucrânia mantém as relações entre Moscou e governos europeus sob tensão.