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Rogério Xavier vê risco de estímulos graduais diante de limites econômicos

O sócio-fundador da SPX Capital questiona como o governo enfrentará as restrições econômicas e aponta riscos de respostas graduais por meio de mecanismos financeiros do Estado.

Rogério Xavier vê risco de estímulos graduais diante de limites econômicos

O quarto mandato de Lula começa, na avaliação de Rogério Xavier, sob pressão de dívida pública elevada, rigidez orçamentária, juros reais altos e endividamento da economia privada. Um dos sócios-fundadores da SPX Capital questiona como o governo conciliará ambições políticas e restrições econômicas.

Em publicação no Substack, Xavier propõe a pergunta “Lula 4 ou Dilma 3?”, mas ressalva que não prevê repetição da história nem compara personalidades. A provocação, diz, busca examinar como o governo poderá responder aos desafios. Para ele, uma política econômica semelhante à Nova Matriz Econômica poderia surgir gradualmente, por decisões tomadas diante de alternativas cada vez mais estreitas.

O gestor compara o cenário atual ao início do primeiro mandato de Lula, em 2003. Naquele momento, inflação, risco-país e câmbio apresentavam dificuldades, mas havia superávits primários e melhora da balança comercial: o saldo passou de cerca de US$ 2,7 bilhões em 2001 para aproximadamente US$ 13 bilhões em 2002 e quase US$ 25 bilhões em 2003.

Xavier afirma que a preservação do tripé macroeconômico e condições externas favoráveis, como a expansão chinesa e o ciclo de commodities, contribuíram para a recuperação. Para 2027, aponta reservas internacionais expressivas e menor vulnerabilidade cambial da dívida em comparação com 2002, mas diz que o ambiente externo já não oferece a mesma combinação.

Entre os limites atuais, o gestor cita política monetária restritiva, pressão das despesas obrigatórias e dificuldade de elevar impostos ou cortar gastos. Uma desaceleração poderia reduzir a arrecadação. Nesse quadro, ele vê como resposta possível o uso de bancos públicos, fundos, garantias e subsídios creditícios.

Xavier descreve a dominância fiscal como um processo em que a preocupação com a dívida eleva a remuneração exigida por investidores e restringe as escolhas de financiamento do Tesouro.

Juros altos ajudam a conter inflação, mas também pesam sobre as contas públicas e a atividade. O risco, afirma, seria o Estado tolerar inflação mais elevada, não necessariamente um calote nominal.

O gestor ressalva que esse caminho não é inevitável. Um programa fiscal crível, ganhos de produtividade, investimento privado, reformas e limites do Congresso à expansão de despesas poderiam mudar as expectativas. Ele afirma que tanto tratar a semelhança histórica como certeza quanto ignorar os incentivos atuais seria um erro.