Centenas de pessoas protestaram em Israel no sábado (31) para pressionar os partidos de oposição a se aliarem às siglas árabes e tentar retirar o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu do poder. Em paralelo, Netanyahu intensificou críticas às lideranças da minoria árabe, que representa cerca de 20% da população do país.
A mobilização ocorreu após os partidos árabes ampliarem sua presença nas eleições realizadas na terça-feira anterior, em meio à insatisfação com a retórica do governo de extrema direita. O líder da oposição, Gadi Eisenkot, ainda não decidiu se negociará uma coalizão com essas legendas.
Em Tel Aviv, cerca de 500 manifestantes levaram faixas com dizeres como “Árabes e judeus vencem juntos”. A psicóloga Ayelet Raz, de 60 anos, defendeu a participação da comunidade árabe no governo e disse que seria “a última oportunidade para promover uma mudança real”.
Disputa por maioria parlamentar
O Parlamento israelense tem 120 cadeiras e nenhum bloco obteve maioria. Os partidos de maioria judaica contrários a Netanyahu conquistaram 48 assentos; Raam e Lista Unificada somaram 19. Uma aliança entre os grupos chegaria a 67 cadeiras, mas parte da oposição resiste à aproximação.
As siglas árabes integraram um governo israelense apenas uma vez, entre 2021 e 2022. Mansur Abbas, líder do Raam, participou da coalizão, que permaneceu pouco tempo no poder. Abbas afirmou estar disposto a repetir a experiência. Yusef Jabareen, da Lista Unificada, disse à AFP que poderia apoiar Eisenkot no Parlamento sem necessariamente fazer parte do governo.
Eisenkot defendeu um “governo sionista” formado por integrantes comprometidos com o reconhecimento de Israel como Estado judeu, democrático e liberal, e que considerem o Hamas uma organização terrorista. Lideranças árabes já rejeitaram essas condições. Ele disse que não pretende depender dos partidos da minoria, mas não descartou expressamente receber seu apoio.
Mais de 100 apoiadores de Netanyahu fizeram um ato paralelo em Tel Aviv. Uma participante acusou os partidos árabes de ligações com o Hamas e afirmou que eles querem transformar Israel em um país palestino.
O presidente Isaac Herzog deverá encarregar Netanyahu ou Eisenkot, na próxima quinta-feira (5), de tentar formar governo. Se as negociações fracassarem, Israel poderá ter novas eleições no início do próximo ano. Herzog disse que fará o possível para evitar outra votação.

