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Rejeição a Lula e aos Bolsonaro pode redesenhar disputa de 2030

A sucessão de Lula no PT e a reação de partidos de centro-direita ao avanço bolsonarista são incertezas apontadas pelo cientista político Carlos Ranulfo.

Rejeição a Lula e aos Bolsonaro pode redesenhar disputa de 2030

A perspectiva de uma eleição presidencial em 2030 sem Lula nem o sobrenome Bolsonaro na urna abre incertezas sobre a sucessão política no país. O cenário depende do cumprimento de promessas e pode mudar até lá, mas a polarização e a rejeição aos dois campos já influenciam as escolhas dos eleitores.

Lula declarou que a eleição foi a última de sua carreira e está impedido de buscar um terceiro mandato consecutivo. Flávio Bolsonaro, chamado de “Zero Um” no texto, concorreu prometendo exercer apenas um período e apresentou proposta para proibir a reeleição presidencial, incluindo Jair Bolsonaro e familiares até o segundo grau.

O candidato também negou que o pai pretendesse voltar a disputar a Presidência. Durante a campanha, afirmou que conseguiria anistia para Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado a 27 anos e três meses de prisão, e garantiria sua liberdade.

O cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta a falta de uma sucessão política clara para Lula dentro do PT.

Fernando Haddad, Camilo Santana e Rafael Fonteles são nomes de destaque, mas, segundo Ranulfo, a disputa para suceder o presidente não se limita a eles. Lula representou o partido nas eleições de 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2022 e 2026.

Na direita, Ranulfo prevê reação do Centrão e de setores moderados ao crescimento do bolsonarismo. A partir do ano que vem, o PL terá 28 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados, as maiores bancadas nas duas Casas. Para o cientista político, partidos de centro-direita tentarão recuperar espaço para não serem “engolidos”.

Ranulfo vê no compromisso cobrado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) — de que Flávio Bolsonaro não dispute a reeleição — um sinal de que o Centrão e a direita não querem que seu campo político se torne “patrimônio da família Bolsonaro”.