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OPERAÇÃO COAPTAÇÃO

Quem é José Newton Lacerda Carneiro, médico preso em operação da PF no Ceará

José Newton Lacerda Carneiro, fundador e atual tesoureiro da Coaph, está entre os cinco presos na Operação Coaptação, que apura suspeitas de desvios de recursos públicos destinados à saúde.

Quem é José Newton Lacerda Carneiro, médico preso em operação da PF no Ceará

O médico José Newton Lacerda Carneiro, fundador e atual tesoureiro da Cooperativa de Atendimento Pré e Hospitalar (Coaph), está entre as cinco pessoas presas na Operação Coaptação, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (8). A investigação apura suspeitas de desvios milionários de recursos públicos federais destinados à saúde.

Empresário, José Newton é graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e tem pós-graduação em Gestão Estratégica de Negócios e Gestão de Saúde pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Também possui formação em governança corporativa, gestão da inovação e inteligência artificial aplicada à saúde e aos negócios. Até a publicação da reportagem, não havia sido localizada a defesa dele para comentar a prisão.

Ao longo da carreira, o médico ocupou cargos de gestão em empresas de grande porte. Em suas redes sociais, afirma ter sido fundador do SOS Caucaia, do Samu Caucaia e do Samu Ceará. Além da Coaph, é fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo HDOC Saúde. Também empreendeu nos setores de alimentação, segurança e entretenimento infantil.

A Coaph é investigada pela PF e mantém contratos com prefeituras do Ceará. Conforme as investigações, a cooperativa recebeu mais de R$ 1 bilhão em recursos públicos de origem federal entre 2007 e 2025, por meio de contratos com entes ligados a estados ou municípios. A Polícia Federal não informou se os valores suspeitos de desvio seriam provenientes de uma prefeitura específica.

O que a investigação apura

Segundo as investigações, o esquema teria envolvido a criação de empresas de fachada para firmar contratos com prefeituras e a emissão de notas fiscais por companhias que não teriam capacidade de prestar os serviços contratados. A Coaph, por ser uma cooperativa, não poderia ter lucro; conforme a apuração, as empresas permitiriam a realização de contratos com possibilidade de lucro.

As investigações começaram após a prisão de um contador da Coaph durante as eleições de 2024, quando ele estava com uma elevada quantia em dinheiro, de acordo com apuração do g1. A partir desse episódio, foram identificadas movimentações financeiras suspeitas, incluindo saques de valores elevados.

Além das cinco prisões, a Justiça autorizou 24 mandados de busca e apreensão e o sequestro de 38 imóveis e 82 veículos vinculados às pessoas investigadas. As medidas foram cumpridas em Fortaleza, Caucaia, Eusébio e Tauá, no Ceará, e em Campina Grande, na Paraíba. A decisão também determinou o afastamento cautelar de cinco gestores de atividades gerenciais, financeiras ou de representação da Coaph e de outros entes.

Os investigados são suspeitos de crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e fraude documental. Segundo a PF, as apreensões buscam assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e eliminar ativos que possam ter sido adquiridos com recursos de origem ilícita.

O atual presidente da Coaph, o médico Montezuma Feitosa Alexandrino, foi alvo de mandado de busca e apreensão. Até a publicação, não haviam sido localizadas as defesas dele e de José Newton. Em nota, a cooperativa afirmou que a operação também abrange outras empresas do setor de saúde com contratos públicos e defendeu a apuração dos fatos, com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. A Coaph informou ainda que, em 2022, passou por fiscalização semelhante, posteriormente arquivada sem elementos que justificassem o prosseguimento.