Preço do café pode mudar e afetar o bolso de brasileiros

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O café faz parte da rotina de milhões de brasileiros e qualquer alteração no preço do produto costuma ser sentida rapidamente no dia a dia. Nos últimos anos, o valor subiu bastante, o que impactou diretamente o orçamento das famílias.

Agora, há sinais de mudança no cenário. Especialistas apontam que alguns fatores podem ajudar a reduzir os preços, mas ainda existem incertezas que impedem uma queda mais expressiva no curto prazo.

Produção maior pode ajudar a segurar os preços

A principal expectativa para 2026 é de aumento na colheita de café no Brasil. Esse crescimento na produção tende a colocar mais produto no mercado, o que normalmente pressiona os preços para baixo.

Analistas do setor estimam que o país pode colher cerca de 75,6 milhões de sacas de 60 quilos nesta safra. Já a Companhia Nacional de Abastecimento projeta um volume menor, de 66,2 milhões de sacas, mas ainda assim com crescimento de aproximadamente 17% em relação ao ciclo anterior.

Esse avanço ocorre por alguns motivos:

  • entrada de novas áreas de plantio
  • uso de tecnologia no campo
  • condições climáticas mais favoráveis em parte do período
  • fase positiva do ciclo natural da cultura

Esse ciclo, chamado de bienalidade, faz com que o café tenha anos de produção mais alta seguidos por períodos de menor rendimento.

Mesmo com queda, preços ainda estão longe do passado

Apesar da possível melhora na oferta, especialistas alertam que os valores dificilmente voltarão ao que eram anos atrás.

Para ter ideia, em 2020 o quilo do café torrado e moído custava, em média, R$ 16,45. Hoje, esse valor gira em torno de R$ 63,69 no varejo, segundo dados da indústria do setor.

Mesmo com a inflação desacelerando, o custo ainda pesa no bolso do consumidor. Isso acontece porque houve uma sequência de problemas climáticos entre 2021 e 2024, como seca, calor intenso e geadas, que reduziram a produção e encareceram o produto.

Além disso, a economia como um todo mudou. O dinheiro perdeu valor ao longo do tempo, o que dificulta o retorno aos preços antigos.

Queda já começou, mas ainda é lenta

Alguns sinais de redução já começaram a aparecer. O preço do café no campo chegou a cair no início do ano passado, com a expectativa de aumento na produção mundial.

Essa queda, aos poucos, vem sendo repassada para o consumidor. Dados do índice oficial de inflação mostram que o café moído acumula recuo de cerca de 3,6% neste ano.

Mesmo assim, essa diminuição ainda não compensa totalmente as altas acumuladas nos últimos anos. Ou seja, o produto continua caro nas prateleiras.

Outro ponto que influenciou os preços foi o cenário internacional. Medidas econômicas adotadas por Donald Trump, como tarifas sobre produtos, chegaram a elevar as cotações no mercado. Quando essas taxas foram retiradas, houve novo recuo.

Clima pode mudar o cenário nos próximos meses

Apesar da expectativa positiva com a safra atual, especialistas alertam que o clima pode voltar a pressionar os preços no futuro.

Há uma alta probabilidade de formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, o que pode alterar o regime de chuvas e as temperaturas no Brasil.

Esse tipo de mudança pode trazer efeitos como:

  • períodos de seca em algumas regiões
  • calor acima do normal
  • irregularidade nas chuvas

Essas condições prejudicam o desenvolvimento do café, especialmente na fase de plantio, que acontece justamente nesse período.

Por isso, mesmo com uma safra maior em 2026, não há garantia de queda contínua nos preços. O comportamento do clima e a produção nos próximos anos serão decisivos para definir quanto o consumidor vai pagar pelo café.

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