O encerramento de uma série acompanhada por muito tempo pode provocar tristeza, sensação de perda e até uma espécie de luto. A reação não está ligada apenas ao fim da história: a rotina criada em torno dos episódios e a familiaridade com os personagens também podem fazer falta.
Segundo a psicoterapeuta Saba Lurie, ouvida pelo site argentino Infobae e também pelo Real Simple, uma série pode ir além do entretenimento. Ela pode oferecer alívio em momentos difíceis, gerar identificação com situações exibidas e abrir espaço para emoções que estavam represadas.
A rotina e os personagens
Esperar por um episódio semanal, separar um horário para maratonar ou conversar com amigos sobre as reviravoltas pode se tornar parte do cotidiano. Quando os episódios inéditos acabam, desaparece também esse compromisso que tinha lugar na semana.
A previsibilidade da trama pode funcionar como refúgio emocional. Uma comédia leve pode fazer companhia em períodos de solidão, enquanto uma história sobre conflitos familiares pode ajudar o espectador a organizar sentimentos próprios. Para algumas pessoas, a série também fica associada a uma fase marcante da vida; o fim da narrativa pode representar o encerramento de um capítulo pessoal.
Ao longo das temporadas, comportamentos, vínculos e escolhas dos personagens se tornam familiares. Embora seja uma relação unilateral, essa proximidade pode ser intensa. Lurie observa que a ficção permite acompanhar sentimentos e fragilidades sem exigir a exposição e a reciprocidade próprias de uma relação real.
A primeira despedida
De acordo com a psicoterapeuta, a experiência mais forte tende a ocorrer na primeira vez. Rever episódios pode trazer nostalgia, mas o desfecho já é conhecido e a surpresa não se repete. A curiosidade sobre o que virá a seguir pertence ao primeiro contato com a história.
As reações ao final variam de pessoa para pessoa. Compartilhar impressões sobre o desfecho com quem também acompanhou a série pode amenizar a sensação de despedida.

