A Polícia Civil do Ceará”>Polícia Civil do Ceará deflagrou nesta terça-feira (15) a Operação Tropa do Empresário, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro vinculado à facção criminosa Comando Vermelho. A operação resultou na prisão de cinco pessoas e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em cinco estados do país.
Mandados cumpridos em cinco estados e em diversas cidades
Segundo a Polícia Civil, os mandados foram executados nos estados do Ceará, Piauí, Goiás, São Paulo e Paraná. No Ceará, a operação teve ações nas cidades de Fortaleza, Caucaia, Quixeramobim e Trairi. Em Goiás, um dos alvos foi um empresário do ramo de eventos, que reside em um condomínio de luxo em Goiânia. No Paraná, os mandados foram cumpridos em Toledo, onde os investigados são sócios de uma empresa de materiais de construção.
Apreensões incluem cheques, armas, drogas e veículos de luxo
Durante a ação, foram apreendidos cheques que somam R$ 1,5 milhão, dois armamentos — incluindo uma escopeta — e 1,6 quilos de drogas. A Justiça autorizou ainda o sequestro de 16 veículos de alto padrão, dos quais quatro foram localizados — três no Ceará e um no Paraná.
A operação também resultou no bloqueio de 24 contas bancárias, sendo 14 de pessoas físicas e 10 de empresas investigadas. Um dos presos é sócio de uma empresa de venda de automóveis, que, segundo a Polícia, era utilizada no esquema de lavagem de dinheiro por meio de superfaturamento de veículos.
Investigação teve início após prisão em 2022
As investigações começaram em 2022, com a prisão de um traficante em Caucaia, que atuava no comércio de drogas em áreas turísticas do litoral cearense, como as praias de Cumbuco e Jericoacoara. A partir desse ponto, os policiais descobriram a existência de uma rede de empresários que atuavam na lavagem de dinheiro do tráfico.
Segundo as informações apuradas, os criminosos referiam-se ao grupo empresarial como “Tropa dos Empresários”, nome que inspirou a nomenclatura oficial da operação.
Empresas reais e de fachada eram usadas para movimentar recursos
De acordo com a Polícia Civil, alguns investigados possuíam mais de uma empresa, incluindo empresas de fachada. No entanto, a maioria das companhias envolvidas é real, com operações comerciais legítimas, utilizadas para forjar a origem lícita dos valores oriundos do tráfico de drogas.
O delegado seccional de Caucaia, Rômulo Melo, explicou que a movimentação financeira dessas empresas era incompatível com sua capacidade operacional. Ele destacou o papel da análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) para identificar a atividade atípica nas contas bancárias.
Empresa paranaense de materiais de construção foi alvo da operação
Uma das empresas investigadas é uma loja de materiais de construção em Toledo (PR). Conforme apurado pela Polícia, os dois sócios da empresa compravam drogas no Paraguai e as enviavam à facção criminosa. Além disso, disponibilizaram uma chave Pix associada ao CNPJ da empresa para que os criminosos do Ceará realizassem transferências de valores do tráfico.
Os mandados foram cumpridos na sede da empresa e na residência dos empresários. Um carro de luxo foi apreendido, além de outros itens que serão analisados nas etapas seguintes da investigação.
Empresário de loja de carros foi preso em condomínio de luxo em Fortaleza
Outro investigado preso na operação é sócio de uma loja de automóveis localizada em Fortaleza. Ele foi detido em um condomínio de luxo no bairro Sabiaguaba. Segundo o delegado Rômulo Neto, o empresário já era alvo de investigações anteriores por crimes como tráfico de drogas e estelionato.
A Polícia afirma que a empresa de automóveis movimentava valores milionários, e os veículos eram vendidos com valores acima do mercado para simular transações comerciais e legalizar o dinheiro obtido com a atividade criminosa.
