Pai confessa assassinato de filho autista de 11 anos com deficiência visual

Criança esperava reencontro com a avó, mas foi vítima de asfixia dentro do apartamento.

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O enterro de Arthur Davi Velasques Piazza, de 11 anos, ocorreu na manhã de 3 de novembro de 2025, no Cemitério do Cristo Redentor, em João Pessoa (PB). A cerimônia foi marcada por forte comoção. A mãe do menino, visivelmente abalada, permaneceu por minutos abraçada ao pequeno caixão, cercada por familiares e amigos.

Brinquedos, flores e desenhos foram deixados como homenagem ao garoto, que era autista e tinha deficiência visual.

Segundo a Polícia Civil da Paraíba, Arthur foi morto por asfixia dentro de um apartamento onde estava hospedado com o pai, Davi Piazza Pinto, que veio de Florianópolis (SC) para passar alguns dias com o filho.

O corpo foi encontrado no sábado (1º), parcialmente enterrado em uma área de mata no bairro Colinas do Sul.

Dados oficiais reforçam alerta sobre violência contra crianças com deficiência

De acordo com o DataSUS, entre 2020 e 2024, foram registrados mais de 3.800 casos de violência contra crianças com deficiência no Brasil. A maioria envolve negligência, maus-tratos e agressões físicas. O caso de Arthur, portanto, reacende o debate sobre a vulnerabilidade de menores com necessidades especiais.

Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) aponta que crianças autistas enfrentam risco elevado de violência doméstica, especialmente quando há histórico de separação familiar e ausência de acompanhamento psicológico. Arthur vivia com a mãe na Paraíba e aguardava com entusiasmo a viagem com o pai para reencontrar a avó em Santa Catarina.

Justiça mantém prisão preventiva do pai; investigação segue em andamento

Após confessar o crime, Davi Piazza Pinto se apresentou à polícia em Florianópolis no domingo (2). A Justiça da Paraíba manteve a prisão preventiva após audiência de custódia realizada no dia seguinte. O Instituto Médico Legal (IML) confirmou que a causa da morte foi asfixia por sufocação, e exames complementares, como o toxicológico, ainda estão em andamento.

A Polícia Civil investiga se o suspeito utilizou um carro de aplicativo para transportar o corpo até o local onde foi enterrado. A mãe de Arthur relatou que o menino estava feliz nos dias anteriores, demonstrando entusiasmo com a viagem, mesmo sem se expressar verbalmente.

Especialistas pedem políticas públicas para proteção de crianças autistas

Organizações como a Associação Brasileira de Autismo (ABRA) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção de crianças com transtorno do espectro autista. Segundo o IBGE, o Brasil possui cerca de 2 milhões de pessoas com autismo, sendo grande parte delas em idade escolar.

Além disso, especialistas defendem que pais e responsáveis recebam acompanhamento psicológico contínuo, especialmente em casos de guarda compartilhada ou separação litigiosa. A tragédia envolvendo Arthur Davi evidencia falhas no sistema de proteção familiar e na rede de apoio a crianças com deficiência.

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