Dois advogados foram presos na manhã desta sexta-feira (9), no Ceará, durante a operação Elo Oculto, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Eles são suspeitos de manter vínculo com a liderança local do Comando Vermelho (CV), mas suas identidades ainda não foram divulgadas.
A operação cumpre oito mandados judiciais: quatro de prisão e quatro de busca e apreensão. A liderança apontada como interlocutora dos advogados é Geovane Diogo Silva Oliveira, que já estava detido. A esposa dele, que estava em liberdade, também é alvo da ação. Segundo as investigações, ela intermediava contatos com os advogados, que supostamente se valiam do exercício da profissão para cometer crimes.
De acordo com o MPCE, a ação busca desarticular uma rede de comunicação entre uma liderança de organização criminosa custodiada e integrantes do grupo no meio externo. As buscas ocorrem em Caucaia, Fortaleza, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante, com apoio da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Investigações seguem em andamento
O promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto afirmou que as investigações identificaram uma estrutura que encaminhava mensagens, orientações e informações da prisão para o meio externo, permitindo contatos e articulações mesmo durante a custódia da liderança. A operação, declarou, pretende interromper esse fluxo e impedir que o ambiente prisional seja usado para articulações relacionadas à organização criminosa.
O MPCE informou que as investigações continuam para identificar e localizar outros envolvidos. Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará (OAB-CE) afirmou acompanhar as prisões por meio da Diretoria de Prerrogativas, do Centro de Apoio ao Advogado e do Tribunal de Ética e Disciplina. A entidade disse que busca zelar pela legalidade dos procedimentos e pelo respeito às prerrogativas profissionais, incluindo ampla defesa, contraditório e custódia em sala de Estado-Maior.
A OAB-CE também declarou que não compactua com condutas incompatíveis com a ética e os deveres da advocacia. Caso seja constatada infração disciplinar por profissional inscrito, afirmou, poderão ser adotadas medidas previstas na Lei nº 8.906/1994 e em outras normas aplicáveis.
Geovane é apontado como alvo principal dos criminosos responsáveis pela Chacina do Benfica, em 2018. Conforme as investigações, os autores buscavam vingança por uma morte ocorrida um mês antes e receberam informações de que ele estaria na Praça da Gentilândia. Ele não foi encontrado no local; seu primo, José Gilmar de Oliveira Júnior, conhecido como Júnior Biba, foi a primeira vítima assassinada no massacre. No ano seguinte, dois acusados foram julgados e condenados a 189 e 170 anos de prisão.

