A Polícia Militar Ambiental de Marília (SP) deflagrou a Operação “Lac Purum”, que identificou um esquema de adulteração de leite em propriedades rurais da região centro-oeste paulista. A ação ocorreu após o recente surto de metanol em bebidas alcoólicas, que já havia acendido o alerta para riscos de consumo de produtos adulterados no Brasil.
Segundo informações da Defesa Agropecuária de Campinas e do GAEMA (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) do Ministério Público de São Paulo, instituições reconhecidas pela credibilidade e atuação em segurança alimentar, a operação mobilizou 42 policiais militares, seis agentes da Defesa Agropecuária e 15 viaturas.
Mandados de busca e apreensão
Durante o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão em propriedades e residências nos municípios de Assis, Oscar Bressane, Lutécia e Platina, foram encontrados 200 litros de leite com suspeita de adulteração. O material foi coletado e encaminhado para análise laboratorial.
Além disso, os agentes apreenderam cinco armas de fogo de calibres .22, .28, .32 e .38, além de 113 munições, algumas já deflagradas. Também foram registradas infrações ambientais em diferentes propriedades.
Leite com substâncias químicas
As investigações apontam que substâncias químicas estavam sendo adicionadas ao leite para mascarar a baixa qualidade do produto. Essa prática pode tornar a bebida tóxica e imprópria para consumo humano.
O capitão PM Rafael, responsável pela operação, afirmou que o objetivo é “garantir a segurança alimentar e combater práticas criminosas que colocam em risco a saúde pública”. Ele destacou ainda que há fortes indícios de uso de compostos não permitidos para disfarçar irregularidades na produção.
Infrações ambientais e autuações
Durante as diligências, um dos autuados foi multado em R$ 8.450 por impedir a regeneração de vegetação nativa em área de preservação permanente. Outra propriedade recebeu autuação por irregularidades no manejo de gado, conforme informou a Defesa Agropecuária.
Continuidade das investigações
As amostras de leite apreendidas foram enviadas para análise laboratorial, que deve confirmar quais substâncias foram utilizadas na adulteração. O Ministério Público e o GAEMA seguem investigando o caso para identificar todos os envolvidos e avaliar a extensão dos danos à saúde pública e ao meio ambiente.
Contexto nacional e alerta alimentar
O caso ocorre em meio à repercussão do surto de envenenamento por metanol em bebidas alcoólicas vendidas irregularmente no Brasil, que já causou vítimas fatais em diferentes estados.
Assim como o metanol, a adulteração do leite expõe falhas na fiscalização de produtos alimentícios e reforça a necessidade de maior vigilância sobre cadeias produtivas essenciais.
Especialistas em segurança alimentar alertam que fraudes desse tipo, motivadas por lucro rápido e redução de custos, podem causar intoxicação aguda, distúrbios gastrointestinais e problemas neurológicos.
