O maior tubarão-branco macho já marcado pela organização de pesquisa marinha OCEARCH voltou a ser detectado no Atlântico Norte depois de passar meses sem enviar qualquer registro aos pesquisadores. Batizado de Contender, o animal tem cerca de 4,2 metros de comprimento, pesa aproximadamente 770 quilos e é acompanhado desde o início de 2025 por um transmissor instalado na barbatana dorsal.
A confirmação de que o tubarão segue vivo ocorreu por meio de um breve sinal emitido pelo equipamento quando o animal se aproximou da superfície. Conhecido como “Z-ping”, esse tipo de transmissão acontece apenas por alguns instantes e, por isso, não permite determinar a posição exata do tubarão, mas serve para indicar que o dispositivo continua funcionando e que o animal permanece em atividade.
O último contato havia sido registrado no fim de abril deste ano, nas proximidades da Carolina do Norte. Desde então, o Contender não havia voltado a aparecer no sistema de monitoramento.
Longas migrações fazem parte do comportamento da espécie
O tubarão foi marcado em janeiro de 2025 na região entre os estados da Flórida e da Geórgia. Ao longo do monitoramento, percorreu milhares de quilômetros pela costa leste da América do Norte, com registros nas Carolinas, em Nova Jersey, em Cape Cod, no estado de Massachusetts, e também no litoral do Canadá.
Esse deslocamento acompanha o padrão migratório conhecido da espécie. Os tubarões-brancos costumam alternar áreas de águas mais quentes, no sul dos Estados Unidos, e regiões mais frias ao norte, acompanhando mudanças nas condições ambientais e a disponibilidade de alimento.
Pesquisas apontam que a população de tubarões-brancos no Atlântico Norte apresenta sinais de recuperação nas últimas décadas. Entre os fatores associados a esse crescimento estão medidas de conservação e o aumento das populações de focas, uma das principais presas desses animais.
Um estudo publicado em 2023 estimou a presença de cerca de 800 tubarões-brancos na região de Cape Cod entre 2015 e 2018.
Mais avistamentos não significam aumento de ataques
O crescimento da população e a presença mais frequente desses tubarões em áreas costeiras não indicam, necessariamente, maior risco para banhistas. Os encontros costumam ocorrer porque pessoas e tubarões compartilham os mesmos ambientes de alimentação, especialmente durante o verão no hemisfério norte, quando aumenta o número de frequentadores das praias.
Dados do Museu de História Natural da Flórida mostram que Flórida, Havaí e Califórnia concentram o maior número de registros de mordidas de tubarão nos Estados Unidos.
Como medida de precaução, pesquisadores orientam evitar entrar no mar em locais com baixa visibilidade, presença de cardumes ou de focas, situações que podem atrair predadores.
Além da imagem frequentemente associada ao perigo, o tubarão-branco exerce um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas marinhos ao controlar populações de outras espécies e contribuir para a saúde das cadeias alimentares.
