Nem arábica nem descafeinado: um grão raro chama atenção por ter naturalmente menos cafeína

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O mercado de cafés especiais tem passado por mudanças nos últimos anos. Além da busca por sabores diferentes, muitos consumidores começaram a prestar mais atenção à quantidade de cafeína presente na bebida, procurando alternativas que ofereçam uma experiência mais leve sem abrir mão das características naturais do café.

Nesse cenário, uma variedade pouco conhecida vem ganhando espaço entre especialistas e produtores. O diferencial não está em um processo industrial para retirar a cafeína, mas em uma característica da própria planta, que produz grãos naturalmente menos estimulantes.

Laurina se destaca por ter baixo teor de cafeína de forma natural

A variedade Laurina vem chamando a atenção justamente por apresentar uma concentração de cafeína bem inferior à encontrada no café arábica tradicional.

Enquanto o arábica costuma registrar entre 1,2% e 1,3% de cafeína, a Laurina apresenta aproximadamente 0,6%. Isso significa que o grão nasce com menor quantidade da substância, sem necessidade de passar pelo processo de descafeinação.

Essa característica faz com que o café seja visto como uma alternativa para pessoas que desejam reduzir o consumo de cafeína, mas continuam procurando uma bebida produzida de forma natural.

No Brasil, um dos principais exemplos desse cultivo é a Fazenda Daterra, que investe na produção da variedade e ajudou a popularizar esse tipo de café no segmento de cafés especiais.

O sabor diferenciado também ajudou a tornar o grão conhecido

O interesse pela Laurina não está ligado apenas à menor concentração de cafeína.

A variedade também ganhou reconhecimento pelas características sensoriais que oferece na xícara. Entre os atributos mais valorizados pelos apreciadores estão as notas florais e a acidez mais vibrante, elementos bastante procurados no universo dos cafés especiais.

Esse perfil ajudou a ampliar sua visibilidade internacional.

Em 2018, a Laurina recebeu destaque ao conquistar um prêmio na competição World Brewers Cup, uma das disputas mais conhecidas entre profissionais do preparo de café. O reconhecimento despertou ainda mais interesse de compradores e cafeterias especializadas em diferentes países.

Produzir esse café exige mais cuidados e aumenta os custos

Apesar do crescente interesse do mercado, cultivar a Laurina não é uma tarefa simples.

A planta apresenta menor resistência quando comparada a outras variedades de café. Como possui baixo teor natural de cafeína, acaba ficando mais vulnerável ao ataque de pragas, já que a própria cafeína funciona como um mecanismo de defesa da planta contra alguns organismos.

Por isso, o cultivo exige acompanhamento constante e técnicas de manejo específicas para manter a qualidade da produção.

Entre os principais desafios enfrentados pelos produtores estão:

  • Menor produtividade da planta.
  • Maior sensibilidade a pragas.
  • Necessidade de manejo especializado.
  • Custos de produção mais elevados.

Mesmo diante dessas dificuldades, produtores como a Fazenda Daterra continuam investindo na variedade para atender um mercado que valoriza cafés diferenciados.

Produção limitada transforma a Laurina em um café de nicho

A combinação entre baixa oferta e alta procura faz com que a Laurina seja considerada um produto bastante exclusivo.

Como poucas fazendas conseguem produzir grandes volumes, a disponibilidade no mercado permanece limitada. Em alguns casos, os lotes são comercializados em leilões especializados, onde alcançam preços superiores aos praticados por cafés convencionais.

Esse cenário faz com que a variedade seja direcionada principalmente para cafeterias especializadas, torrefações premium e consumidores que buscam experiências diferentes na degustação.

Ao mesmo tempo, o crescimento da procura por bebidas com menor teor de cafeína reforça o potencial da Laurina dentro do mercado de cafés especiais. A tendência acompanha um movimento global de consumo mais consciente, em que muitos consumidores procuram equilibrar sabor, qualidade e características naturais do produto sem recorrer ao café descafeinado.

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