A descoberta de sete guepardos preservados naturalmente em cavernas no norte da Arábia Saudita está ajudando cientistas a reconstruir a história da espécie na Península Arábica. Os animais foram encontrados durante expedições realizadas em um sistema de cavernas próximo à cidade de Arar, onde as condições ambientais permitiram um raro processo de mumificação natural de mamíferos de grande porte.
Além dos sete corpos preservados, os pesquisadores localizaram restos ósseos de outros 54 guepardos, o que reforça a importância da região para compreender a presença desses felinos no passado e pode contribuir para futuros programas de conservação.
Ambiente seco das cavernas favoreceu a preservação dos animais
Segundo o estudo publicado na revista científica Communications Earth & Environment, a combinação de baixa umidade, temperaturas relativamente estáveis e pouca circulação de ar criou um ambiente capaz de retardar significativamente a decomposição dos corpos.
Esse processo de mumificação ocorreu de forma natural, sem qualquer intervenção humana. Os pesquisadores destacam que esse tipo de preservação é extremamente raro em mamíferos de grande porte, já que, normalmente, os tecidos são consumidos por microrganismos ou animais necrófagos antes que possam se conservar.
Idade dos exemplares mostra que os guepardos viveram na região por milênios
As análises por radiocarbono indicaram que os animais encontrados viveram em períodos muito diferentes. O exemplar mais antigo tem aproximadamente 4.800 anos, enquanto o mais recente morreu há cerca de 127 anos, mostrando que os guepardos permaneceram na região até um período relativamente recente da história.
Essa descoberta ajuda a preencher lacunas sobre a distribuição histórica da espécie, extinta na Península Arábica após a perda de habitat, redução das presas naturais e pressão causada pela caça.
DNA dos animais pode orientar futuros programas de reintrodução
Além de estudar a idade dos espécimes, os pesquisadores sequenciaram o DNA dos animais preservados. Os resultados mostraram que os exemplares mais antigos tinham maior proximidade genética com o guepardo do noroeste da África, enquanto o mais recente apresentava ligação com o guepardo asiático, atualmente encontrado em pequenas populações no Irã.
Essas informações são consideradas importantes para orientar projetos de reintrodução da espécie na Arábia Saudita, permitindo identificar quais populações atuais possuem maior proximidade genética com os animais que habitavam a região.
Cavernas podem guardar registros valiosos da fauna antiga
Os cientistas também destacam que o estudo evidencia o potencial das cavernas como verdadeiros arquivos naturais da biodiversidade. Durante as expedições, foram encontradas evidências de outras espécies que viveram na região, permitindo reconstruir aspectos do ecossistema e compreender como o ambiente mudou ao longo dos últimos milhares de anos.
A equipe acredita que novas explorações em cavernas da Arábia Saudita poderão revelar outros vestígios importantes da fauna extinta e ampliar o conhecimento sobre a evolução dos ecossistemas desérticos.
