Montadora chinesa de carros elétricos começou a produção em massa de robôs humanoides com rosto feminino para colocar em lojas em 2027

5 Minuto de leitura

A corrida tecnológica pelos robôs humanoides ganhou um novo capítulo na China — e, desta vez, com um detalhe que chamou atenção além da engenharia. A montadora chinesa XPeng, conhecida pelos carros elétricos e pela disputa direta com gigantes do setor automotivo asiático, iniciou uma nova fase de industrialização de androides com traços femininos e aparência mais humanizada.

A ideia da empresa é ambiciosa: colocar os primeiros robôs atuando em lojas físicas até 2027, exercendo funções como atendimento ao cliente, recepção e suporte comercial. A movimentação mostra como empresas de tecnologia e montadoras estão expandindo seus negócios para além dos automóveis, apostando em inteligência artificial incorporada ao cotidiano.

Robôs foram criados para parecer mais “humanos”

Os modelos apresentados pela XPeng chamaram atenção principalmente pelas feições mais delicadas e expressivas. Diferentemente de muitos robôs humanoides exibidos em feiras internacionais — normalmente com design mais neutro, metálico ou robusto — os androides da empresa chinesa seguem uma estética considerada mais próxima da aparência humana feminina.

O visual não é apenas uma escolha estética. Especialistas do setor avaliam que empresas vêm tentando tornar os robôs mais “aceitáveis” socialmente para funções ligadas ao contato direto com pessoas, especialmente em ambientes comerciais. Expressões faciais suaves, movimentos mais naturais e aparência menos mecânica fazem parte dessa estratégia.

Entre os modelos da companhia, um dos destaques é o IRON, robô humanoide apresentado anteriormente pela marca e descrito pela empresa como um dos projetos mais avançados já desenvolvidos internamente.

Foto: Reprodução/Xpeng Robotics/YouTube

Empresa quer repetir trajetória que teve com carros elétricos

Durante uma reunião interna realizada para acelerar a produção em larga escala, o presidente da XPeng, He Xiaopeng, comparou o momento atual da divisão de robótica aos primeiros anos da fabricante no mercado automotivo.

Segundo ele, a área de robôs estaria hoje em uma etapa semelhante à vivida pela empresa antes da popularização de seus veículos elétricos. A intenção é transformar os humanoides em um novo braço de negócios capaz de ganhar escala industrial nos próximos anos.

A companhia afirma ainda que toda a tecnologia utilizada nos androides foi desenvolvida internamente, incluindo sistemas operacionais, chips, articulações mecânicas e mãos robóticas. Esse modelo de produção verticalizada vem sendo tratado pela empresa como um diferencial dentro da indústria chinesa de robótica.

China acelera disputa global por robôs humanoides

O avanço da XPeng acontece em meio a uma competição internacional cada vez mais intensa envolvendo empresas de tecnologia, inteligência artificial e automação. Nos últimos anos, humanoides deixaram de ser apenas projetos experimentais e passaram a ser tratados como possíveis trabalhadores do futuro em setores como varejo, logística, hotelaria e atendimento.

Para acelerar a expansão da divisão robótica, a montadora assinou neste ano um acordo estratégico com o governo do distrito de Tianhe, em Guangzhou. A parceria prevê a construção de uma estrutura voltada especificamente para produção em massa de robôs humanoides.

O projeto inclui fábricas especializadas, estações de energia e centros industriais preparados para sustentar operações em grande escala. A expectativa da companhia é transformar os robôs em produtos comerciais acessíveis para empresas nos próximos anos.

Robôs humanoides devem começar pelas lojas

Embora o imaginário popular associe humanoides a casas inteligentes ou assistentes pessoais, o varejo deve ser um dos primeiros ambientes a receber essas tecnologias em larga escala.

A aposta da XPeng é utilizar os androides inicialmente em suas próprias lojas físicas, atuando como recepcionistas, consultores e auxiliares de atendimento. A estratégia permite que a empresa teste comportamento, interação social e desempenho dos robôs em ambientes reais antes de expandir o uso para outros setores.

O movimento também reforça uma tendência crescente na Ásia: transformar espaços comerciais em vitrines tecnológicas, misturando experiência de compra, automação e inteligência artificial em um mesmo ambiente.

Partilhe esta notícia