Um modelo estatístico baseado em disputas para governador estima em 18% a chance de Lula vencer o segundo turno de 2026, considerando o apoio de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Romeu Zema a Flávio Bolsonaro. Sem esses apoios declarados, a estimativa subiria para 29%; se os três apoiassem Lula, chegaria a 44%.
A análise de Marcelo Lyra Filho, economista e autor de O Generalista, afirma que Flávio chega ao dia 25 como favorito. O texto avalia que reduzir a abstenção em cidades vencidas por Lula teria efeito limitado e aponta a conquista de eleitores de outros candidatos, especialmente do centro, como caminho para uma possível virada.
Abstenção e transferência de votos
O levantamento considera 454 segundos turnos para governador e prefeito realizados desde 1994. Em 74% deles, venceu quem havia terminado o primeiro turno na liderança. A vantagem inicial, porém, importa: quando supera 15 pontos, o líder quase sempre vence; com diferença menor, a disputa fica mais aberta.
Segundo os números apresentados, dos 32,9 milhões de eleitores que não votaram no Brasil, 19,3 milhões vivem em cidades vencidas por Flávio e 13,6 milhões em municípios onde Lula venceu.
No exercício descrito pelo autor, uma queda de um ponto percentual na abstenção nas 2.663 cidades vencidas por Lula reduziria em 164 mil votos a diferença entre os candidatos. Para zerá-la apenas nessas cidades, a abstenção teria de cair quase 14%.
Os candidatos eliminados citados somaram 7,6% dos votos: Cury teve 2,9%, Renan Santos, 2,2%, Caiado, 2,2%, e Zema, 0,3%. Cury, Caiado e Zema declararam apoio a Flávio; nenhum dos eliminados apoiou Lula, conforme a análise.
O modelo usa quatro variáveis: votos do líder, vantagem sobre o segundo colocado, abstenção e saldo de apoios. A conclusão do autor é que a abstenção pouco altera o resultado e que um aceno ao eleitor de centro poderia ser decisivo para Lula.

