Mais de 30 famílias deixam suas casas em Fortaleza após ordens de facções

Moradores relatam abandono e medo após expulsões determinadas por criminosos em dois bairros da capital cearense.

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Cerca de 30 famílias foram obrigadas a deixar suas casas na Rua Francisco Vasconcelos Júnior, conhecida como Beco do Boi, no bairro Barroso, em Fortaleza.

A ordem, segundo moradores, partiu de grupos criminosos que disputam o controle da região. O episódio ocorreu em outubro e transformou a área em um espaço deserto, com ruas vazias e imóveis abandonados.

De acordo com a TV Cidade, a equipe percorreu o beco e encontrou diversas residências desocupadas. Algumas ainda tinham móveis e pertences deixados às pressas. Portões arrombados, portas quebradas e pichações nas paredes evidenciavam a ação criminosa.

Moradores relatam abandono e medo constante

Um dos moradores que ainda permanece no local afirmou que os criminosos invadem as casas sem dar tempo para retirada completa dos bens. “Muitas famílias só conseguem levar o essencial”, relatou.

As ordens impostas pelo crime, segundo os relatos, são cumpridas rapidamente. O medo de desobedecer mantém a população em silêncio. Dessa forma, a região, antes movimentada, agora apresenta sinais claros de abandono.

Patrulhamento reforçado pela Polícia Militar

Mesmo com o aumento do policiamento, o clima de insegurança persiste. Muitas casas seguem desocupadas, enquanto poucas famílias resistem sob tensão diária. A Polícia Militar informou que reforçou as ações de segurança no bairro Barroso para conter a atuação das facções.

Outro caso no Residencial Cidade Jardim I

Enquanto isso, no bairro José Walter, moradores do conjunto habitacional Cidade Jardim I também foram expulsos de seus apartamentos. O episódio ocorreu em 9 de outubro, quando diversas famílias deixaram o local às pressas, escoltadas pela Polícia Militar.

Segundo os moradores, o crime organizado deu prazo de poucas horas para a saída. Uma idosa relatou que precisou abandonar o lar da filha, mãe de crianças pequenas, incluindo dois filhos com autismo.

Apoio da Polícia Militar durante retirada

A mesma moradora agradeceu a presença da polícia, que auxiliou na retirada dos pertences. “Eles também estão no meio dessa guerra. Que Deus guarde a gente e dê força a eles pra continuar”, declarou.

Operações do Batalhão de Choque

O tenente Jones, do Batalhão de Choque (CPChoque), afirmou que as operações estão sendo intensificadas em Fortaleza e na Região Metropolitana. Ele destacou que a tropa atua em áreas como Pacajus, Pindoretama e Cascavel.

Segundo o oficial, a missão é garantir tranquilidade à população. “Quem manda na cidade é a polícia e o cidadão”, afirmou. Ele acrescentou que as ações continuarão até que os responsáveis sejam identificados e presos.

Apartamentos invadidos antes da chegada da polícia

De acordo com a reportagem, famílias foram obrigadas a abandonar lares em blocos diferentes do conjunto, como os de número 1, 4 e 6. Em algumas unidades, criminosos chegaram a invadir os apartamentos antes da chegada da polícia, deixando os locais revirados.

Clima de tensão relatado por repórter

A repórter Iva Soares, que acompanhou o caso, descreveu o ambiente de medo. Segundo ela, famílias choravam ao deixar seus lares, temendo que criminosos retornassem caso a polícia se retirasse.

Equipes do CPChoque, do Cotan e do Policiamento Ostensivo Geral (POG) permanecem no conjunto habitacional realizando buscas para localizar os envolvidos nas expulsões.

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