A mineradora australiana Lynas Rare Earths anunciou um acordo de 968 milhões de dólares australianos, cerca de R$ 3,5 bilhões, para comprar a Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, em Minas Gerais. A operação prevê a aquisição de 100% das ações da empresa e ainda depende de aprovação.
O empreendimento de terras-raras está em desenvolvimento perto de Poços de Caldas, no sudoeste mineiro. Segundo comunicado das companhias, o Caldeira reúne o maior recurso mineral conhecido de óxidos de terras-raras em argilas iônicas fora da China.
O pagamento será feito integralmente em ações. Com a conclusão do negócio, os acionistas da Meteoric passarão a deter cerca de 5,9% da companhia combinada. A votação da operação está prevista para janeiro de 2027.
A Lynas afirmou que pretende trabalhar com a equipe da Meteoric para avançar no desenvolvimento do projeto. A empresa estima que o investimento de capital necessário para desenvolver o Caldeira será superior a US$ 500 milhões e se comprometeu a fornecer à Meteoric até 110 milhões de dólares australianos, em valor provisório, para financiar a continuidade do projeto.
Em agosto, a Lynas havia anunciado planos para expandir sua cadeia global de suprimentos e garantir novos fornecimentos de matéria-prima de desenvolvedores de projetos em diferentes partes do mundo.
O acordo foi anunciado duas semanas depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionar a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, em 16 de setembro. A lei, originada do PL 2.780 de 2024, estabelece medidas para pesquisa, extração, processamento e industrialização desses recursos no Brasil.
A política também cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República. O órgão terá atribuições de acompanhamento e proposição de medidas para o setor. A proposta é de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) e de outros congressistas; foi apresentada em julho de 2024, aprovada pela Câmara e pelo Senado e encaminhada ao Palácio do Planalto em 4 de setembro de 2026.
