O papa Leão XIV alertou para o uso de novas tecnologias e da inteligência artificial como instrumentos de dominação, colonialismo financeiro e aumento da desigualdade. O pontífice fez as declarações durante discurso na sede da Unesco, em Paris, como parte de sua viagem apostólica à França.
Diante de diplomatas e autoridades globais, Leão XIV defendeu que a dignidade humana esteja no centro do progresso científico. Na chegada, foi recebido pelo diretor-geral da instituição, Khaled Ahmed El-Enany Ali Ezz, e pelo Observador Permanente da Santa Sé, Dom Roberto Campisi.
Em sua fala, o papa apontou um paradoxo: enquanto se atribui inteligência aos sistemas computacionais, o valor das pessoas pode ser reduzido à eficiência. “A vida é avaliada com base no critério da eficiência e, quando considerada já não produtiva, é rejeitada e descartada”, declarou.
Leão XIV também afirmou que a hiperconexão pode gerar novos isolamentos. Segundo ele, “a comunicação tornou-se muito mais rápida, mas não necessariamente mais verdadeira; a informação é abundante, mas não corresponde à sabedoria”. O pontífice advertiu que o uso da inteligência artificial sem uma deontologia compartilhada multiplica a desinformação e impulsiona a corrupção moral e jurídica.
Ao recordar os quase 75 anos de presença da Santa Sé na Unesco, citou o preâmbulo da carta constitucional de 1946 da entidade, segundo o qual “é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”. Ele defendeu que a paz autêntica decorre da justiça, e não apenas de contratos, e contrapôs a Torre de Babel, associada a uma globalização sem fraternidade, à praça de Pentecostes, símbolo de diálogo entre nações.
Ao final, denunciou a aplicação arbitrária das leis por grupos de poder e pediu proteção para crianças e jovens no ambiente digital, além do combate à crise ecológica. Leão XIV reafirmou a confiança nas instituições multilaterais e destacou a educação como instrumento para superar medos e construir a paz.
