Pular para o conteúdo
Nordeste7
Tamanho do texto
100%
Anuncie

IPCA-15 sobe menos que o esperado, mas serviços e alimentos preocupam

A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,62%, acima do teto de tolerância de 4,5%. Economistas apontam pressão persistente em serviços e alimentos.

IPCA-15 sobe menos que o esperado, mas serviços e alimentos preocupam

O IPCA-15 subiu 0,32% em outubro, abaixo dos 0,44% esperados pelo mercado, mas a composição do índice manteve a preocupação com a inflação. Avaliações de XP, ASA e Bradesco apontam que o alívio veio principalmente das passagens aéreas, enquanto serviços e alimentos seguiram pressionados.

As passagens caíram 9,24%, contribuindo para o resultado menor. Em 12 meses, porém, a inflação avançou de 4,47% para 4,62%, acima do teto de tolerância da meta, de 4,5%. Para Basiliki Litvac, economista da XP, a composição foi pior do que o resultado geral sugere.

A XP calcula que a queda das passagens respondeu por cerca de 0,12 ponto percentual da diferença entre o IPCA-15 e a projeção da instituição, de 0,43%. Por serem voláteis, esses preços oferecem sinal limitado sobre a tendência duradoura da inflação.

Serviços e alimentos mantêm pressão

A inflação de serviços foi de 0,22% no mês, mas o núcleo do segmento subiu 0,45%. Em 12 meses, essa medida passou de 5,28% para 5,51%. Serviços intensivos em trabalho avançaram 0,55% em outubro, e a taxa acumulada subiu de 7,29% para 7,43%.

O Bradesco informou que, sem as passagens aéreas, os serviços aumentaram 0,45%, com inflação de 5,5% em 12 meses. No ASA, Leonardo Costa apontou que itens voláteis de recreação, especialmente cinema, influenciaram o núcleo; mesmo excluídos, a desinflação dos serviços segue gradual.

A alimentação no domicílio acelerou de 0,38% em setembro para 1,01% em outubro. O Bradesco espera pressão nos próximos meses, associada ao impacto do El Niño sobre os preços. Já a medida trimestral anualizada dos bens industriais subjacentes recuou de 2,07% para 1,80%, segundo a XP.

Projeções e juros

O ASA deve reduzir sua projeção para o IPCA de outubro, atualmente em 0,38%, mas manteve em 5,1% a estimativa para 2026. A XP preservou projeções de 5,1% para este ano e 4,4% para 2027. A instituição espera que o Copom continue cortando a Selic, apesar da pressão inflacionária de curto prazo, e projeta a taxa em 13,25% no fim de 2026 e 11,50% no encerramento de 2027.