O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nesta sexta-feira (23) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos. Em resposta ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar também pediu que Lula revele gastos do cartão corporativo da Presidência e registros de visitas ao gabinete presidencial.
Na petição encaminhada ao TSE, Flávio argumentou que a divulgação de despesas pagas com dinheiro público deve ter prioridade no debate sobre transparência entre candidatos. Na véspera, a advogada da campanha havia afirmado que os dados seriam entregues após a confirmação de que Lula cumprira as 19 exigências feitas pelo senador.
Flávio afirmou que uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que 99,55% dos gastos do cartão corporativo foram classificados como sigilosos ou reservados entre janeiro de 2023 e abril de 2025. Ele também defendeu a divulgação dos registros de visitantes do gabinete presidencial, por considerar que as informações são públicas.
Durante a campanha, opositores de Lula cobraram explicações sobre uma reunião do presidente com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do liquidado Banco Master, e sobre sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, que seria sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”.
A entrega das autorizações de Flávio ocorreu um dia depois de a campanha de Lula apresentar ao TSE documentos relacionados a sigilos bancário e telemático do presidente. A equipe do petista havia pedido que a Justiça Eleitoral atuasse como intermediária na divulgação.
O vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, decidiu que os candidatos podem autorizar a divulgação dos próprios dados sem autorização prévia da Justiça Eleitoral. Segundo ele, os sigilos bancário, fiscal e telefônico protegem seus titulares, que podem abrir mão da garantia mediante consentimento.
A campanha de Flávio convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, para examinar os documentos apresentados por Lula. Dallagnol disse que verificará se o material está completo e que a análise se concentrará principalmente no período abrangido pelas investigações da Lava Jato.

