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Hashimoto pode causar sintomas graduais e interferir na rotina

A biomédica recebeu o diagnóstico após sintomas persistentes no pós-parto. O tratamento pode incluir reposição hormonal com acompanhamento médico.

Hashimoto pode causar sintomas graduais e interferir na rotina

A biomédica Cristiane da Costa tinha 32 anos quando, após o nascimento da primeira filha, passou a sentir fraqueza, cansaço intenso, sonolência, inchaço e alterações de humor. Os sintomas foram associados inicialmente ao pós-parto e à privação de sono, mas, como persistiram, ela procurou atendimento médico e recebeu o diagnóstico de hipotireoidismo autoimune associado à tireoidite de Hashimoto.

A doença ocorre quando o sistema imunológico ataca a tireoide, glândula que produz hormônios responsáveis por regular diferentes funções do organismo. Segundo Rômulo Viana, clínico geral e médico do trabalho do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), a condição pode atingir qualquer pessoa, mas é mais frequente entre mulheres adultas.

Uma revisão científica publicada em 2022 na revista Frontiers in Public Health, com 48 estudos, estimou prevalência de 17,5% entre mulheres e 6% entre homens. Para a América do Sul, a prevalência agrupada foi de 8,0%; os estudos disponíveis sobre a região, porém, são limitados.

Sintomas e tratamento

Os sintomas podem surgir gradualmente e incluem cansaço, sonolência, desânimo, falhas de memória, dificuldade de concentração, alterações menstruais e dificuldade para engravidar. Cristiane relata que chegou a esquecer conversas recentes e afirma que as falhas de memória eram frequentes.

O tratamento do hipotireoidismo geralmente envolve a reposição do hormônio que o organismo não produz em quantidade suficiente. A terapia requer acompanhamento médico e pode ser ajustada conforme as necessidades de cada paciente. Aos 40 anos, Cristiane monitora regularmente os hormônios da tireoide e adotou atividade física e cuidados com a alimentação.

A nutricionista do ISGH Eva Lima recomenda uma alimentação equilibrada e adaptada a cada pessoa. Peixes, ovos, carnes, frango, feijões, castanhas, sementes, frutas, verduras e legumes podem contribuir com proteínas, vitaminas e minerais.

Ela ressalta que não há uma dieta única para todas as pessoas com Hashimoto e que a conduta deve considerar exames, sintomas, outras doenças e hábitos alimentares.

A experiência de Cristiane também inspirou profissionais de ensino e pesquisa do ISGH a desenvolver um projeto sobre acompanhamento de gestantes e alterações hormonais durante a gravidez. Apresentado em congresso, o trabalho deu origem a uma iniciativa mais ampla, ainda em desenvolvimento.