O governo federal firmou contrato no valor de R$ 263 milhões para o aluguel de dois navios-cruzeiro de luxo, que servirão como hospedagem temporária durante a COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas, marcada para novembro de 2025, em Belém, no Pará. A contratação foi realizada pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), com o objetivo de acomodar parte dos cerca de 70 mil participantes esperados para o evento.
A medida foi anunciada oficialmente no dia 4 de novembro e, segundo o Ministério do Turismo, os navios atenderão a “padrões de sustentabilidade”. O processo de contratação ocorreu por meio de licitação internacional, conforme informado pela Casa Civil da Presidência da República e pela Embratur, responsável pela execução da estratégia de hospitalidade.
COP30 deve movimentar economia e infraestrutura de Belém
Evento internacional exige soluções logísticas para receber delegações e imprensa
A COP30 será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025 e deve reunir líderes mundiais, representantes de ONGs, cientistas, jornalistas e ativistas ambientais. A escolha de Belém como sede foi confirmada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2023, marcando a primeira vez que uma cidade da Amazônia recebe o evento.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Belém possui cerca de 1,5 milhão de habitantes, mas conta com uma rede hoteleira limitada. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-PA), a cidade dispõe de aproximadamente 12 mil leitos, número insuficiente para a demanda esperada durante a conferência.
Dessa forma, o uso de navios-cruzeiro surge como alternativa para ampliar a capacidade de hospedagem, especialmente para delegações estrangeiras, representantes de organizações internacionais e profissionais da imprensa.
Detalhes do contrato e capacidade dos navios
Embarcações devem oferecer mais de seis mil leitos com padrão internacional
O contrato prevê a disponibilização de mais de 6 mil leitos nos dois navios, que ficarão atracados no porto de Belém durante o evento. As embarcações serão fornecidas por empresas do setor de cruzeiros marítimos, como MSC Cruzeiros e Costa Cruzeiros, que manifestaram interesse em participar da operação.
Segundo o governo, os navios atenderão critérios de eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos hídricos, em consonância com os princípios da conferência climática. A expectativa é que a estrutura ofereça conforto e segurança aos hóspedes, sem comprometer os compromissos ambientais do evento.
Repercussão e desafios logísticos para a capital paraense
População local e especialistas reagem à medida de forma diversa
A decisão de alugar navios gerou debates nas redes sociais e entre especialistas em políticas públicas. Enquanto alguns destacam a importância de garantir infraestrutura adequada para um evento de grande porte, outros questionam o custo elevado da operação.
Além disso, a prefeitura de Belém e o governo do Pará trabalham em conjunto com o governo federal para ampliar a capacidade de serviços públicos, mobilidade urbana e segurança durante a COP30. A estimativa é que o evento injete mais de R$ 500 milhões na economia local, segundo projeções da Secretaria de Turismo do Pará (SETUR).
