As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera chegaram a níveis sem precedentes em 2025, segundo relatório publicado nesta terça-feira (27) pela Organização Meteorológica Mundial (WMO). O dióxido de carbono (CO₂), principal gás do grupo, ficou 53% acima do nível pré-industrial, anterior a 1750.
A concentração de CO₂ alcançou 426,8 partes por milhão (ppm), 2,8 ppm a mais que em 2024. Embora o aumento tenha sido menor que o do ano anterior, de 3,6 ppm, superou a média anual da década, de 2,62 ppm. O relatório atribui a desaceleração, provavelmente, à redução das emissões e à recuperação de sumidouros terrestres de carbono.
Ainda assim, a alta reflete a continuidade de grandes emissões decorrentes da queima de combustíveis fósseis. O estudo também aponta que a temporada de El Niño de 2023/2024 pode ter reduzido a absorção de CO₂ pela biosfera.
Entre 2015 e 2024, metade das emissões humanas de CO₂ se acumulou na atmosfera. Os oceanos absorveram 29% e a terra, 21%. O dióxido de carbono responde por 66% da força radiativa dos gases de efeito estufa e por 83% do aumento dessa força na última década.
Metano e óxido nitroso
O metano ficou 167% acima do nível pré-industrial, com concentração de 1.948 partes por bilhão (ppb), 6 ppb a mais que em 2024. O aumento foi inferior ao registrado naquele ano e à média da década. Cerca de dois terços das emissões de metano têm origem em atividades humanas, como criação de gado e decomposição de resíduos orgânicos.
Já o óxido nitroso atingiu 339,1 ppb, alta de 1,1 ppb em relação a 2024. Sua concentração está 26% acima do nível pré-industrial. Embora menos concentrada, cada molécula contribui cerca de 270 vezes mais para o aquecimento global que uma molécula de CO₂; o uso de fertilizantes agrícolas é uma das fontes humanas do gás.
O relatório também registra queda na concentração de CFCs, mas aponta aumento de alguns HCFCs e HFCs, usados como substitutos. A concentração de hexafluoreto de enxofre, utilizado como isolante elétrico, é três vezes maior que em meados dos anos 1990 e o gás permanece na atmosfera por mais de 1.900 anos.

