A rotina de quem trabalha em supermercados costuma ser intensa, com horários variados, funcionamento aos fins de semana e grande fluxo de clientes ao longo do dia. Esse cenário faz com que a carga de trabalho seja vista como um dos principais desafios para os profissionais do setor.
Nos últimos meses, discussões sobre qualidade de vida no ambiente profissional passaram a ganhar mais espaço, levantando questionamentos sobre modelos tradicionais de jornada. Empresas e especialistas começaram a avaliar alternativas que possam equilibrar produtividade e bem-estar dos trabalhadores.
Rede adota nova escala e amplia dias de descanso dos funcionários
Uma mudança recente chamou atenção no setor supermercadista. O Grupo Supernosso anunciou a adoção de um novo modelo de jornada que garante mais folgas aos colaboradores.
A empresa decidiu implementar a escala 5 por 2, em que o funcionário trabalha cinco dias seguidos e descansa dois. A medida começou a ser aplicada em março, inicialmente em três unidades localizadas em Belo Horizonte, como parte de um projeto piloto.
A intenção é testar os resultados na prática. Caso a experiência seja positiva, a rede pretende ampliar o formato para outras lojas ao longo de 2026.
Mudança altera distribuição das horas, mas mantém carga semanal
Apesar da impressão de que a carga de trabalho foi reduzida, o total de horas semanais continua o mesmo. Os colaboradores seguem cumprindo as 44 horas previstas pela legislação trabalhista brasileira.
O que muda, na prática, é a forma como esse tempo é dividido ao longo da semana.
Diferenças entre os modelos
- Escala antiga 6 por 1
- Seis dias de trabalho e um de folga
- Jornada média de cerca de 7 horas e 20 minutos por dia
- Nova escala 5 por 2
- Cinco dias de trabalho e dois de descanso
- Jornada diária de aproximadamente 8 horas e 48 minutos
Essa reorganização permite que o trabalhador tenha um dia extra livre, o que pode facilitar o descanso e compromissos pessoais.
Proposta busca melhorar qualidade de vida e reduzir desgaste
Segundo a empresa, a mudança tem como objetivo diminuir o cansaço físico e mental dos funcionários. Com mais tempo livre, os trabalhadores podem recuperar melhor a energia e organizar a rotina fora do trabalho.
Outro ponto destacado é a redução no número de deslocamentos até o local de trabalho. Com um dia a menos de expediente na semana, o funcionário economiza tempo e, em muitos casos, também reduz gastos com transporte.
Esse tipo de iniciativa vem sendo observado com atenção por outras empresas do setor, que também buscam soluções para melhorar o ambiente de trabalho sem comprometer a operação.
Debate sobre jornada ganha força no Brasil
A decisão do Supernosso ocorre em meio a uma discussão maior no país sobre o modelo de trabalho adotado atualmente. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou uma proposta que prevê o fim da escala 6 por 1.
O texto ainda precisa passar por outras etapas antes de entrar em vigor, incluindo votação no plenário e análise na Câmara dos Deputados.
Enquanto isso, o tema divide opiniões.
Pontos levantados por especialistas
- Possível melhora na qualidade de vida dos trabalhadores
- Aumento de custos para empresas
- Risco de impacto na produtividade
- Possibilidade de redução de vagas formais
Além disso, há debate sobre o funcionamento aos domingos. Parte dos empresários defende mudanças nesse modelo, enquanto alguns trabalhadores preferem manter esse formato por permitir folgas em dias úteis.
A experiência iniciada pelo Supernosso pode servir como referência prática para o setor, mostrando na prática como uma nova organização da jornada pode impactar tanto funcionários quanto empresas.
