Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na segunda-feira (26) que não sairia do Brasil e entregaria seus passaportes à Polícia Federal (PF), após ser intimado a apresentar os documentos. Nesta terça-feira (27), amigos da família disseram que o senador e candidato derrotado à Presidência foi para os Estados Unidos.
Em vídeo, Flávio declarou que nunca pensou em deixar o país e que entregaria os passaportes para se defender do que chamou de “uma clara tentativa de me intimidar”. A declaração ocorreu um dia depois da derrota na disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito.
A intimação foi expedida por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, com prazo de 24 horas. O período terminou no final da manhã de terça, mas Flávio não compareceu para cumprir a determinação. Seus documentos foram cancelados.
Investigações no STF
No vídeo, o senador afirmou que a decisão de Moraes teria sido motivada por uma declaração de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), em um podcast americano. Na sexta-feira (23), antes da eleição, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a disputa. “Eu nunca falei isso”, respondeu o senador.
A ordem para entrega dos passaportes foi emitida na noite de domingo (25), após o término das eleições. Ela está relacionada a um inquérito que investiga suspeita de esquema de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Outro inquérito no STF apura pedidos de recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para a realização do filme “Dark Horse”. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Sem vencer a eleição presidencial, Flávio ficará pela primeira vez em 24 anos sem cargo político, perdendo imunidade parlamentar e foro privilegiado.

