A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que a decisão de restabelecer provisoriamente o canal de WhatsApp “Exército do Lula” favorece a disseminação de notícias falsas em benefício do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (12).
Em nota, a campanha criticou a decisão do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e acusou o canal de divulgar informações falsas e orientar seguidores a contornar mecanismos de controle da Justiça Eleitoral e da plataforma. As afirmações são da campanha de Flávio.
O grupo também questionou a competência de Cueva para fiscalizar o plano de conformidade firmado entre a Meta, responsável pelo WhatsApp, e a Justiça Eleitoral. Segundo a nota, essa atribuição caberia ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enquanto o corregedor analisaria possíveis práticas de abuso de poder.
O vaivém de decisões começou no domingo (11), quando Nunes Marques determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio. O bloqueio deveria durar até a homologação do resultado do segundo turno. Horas depois, Cueva restabeleceu provisoriamente a página e encaminhou o caso para análise urgente do plenário do TSE.
Ao justificar a medida, Cueva afirmou que ainda não havia provas suficientes para retirar todo o canal do ar. Para o corregedor, a existência de publicações potencialmente ilícitas não justificava, por si só, suspender a estrutura inteira.
Criado após o primeiro turno, em 4 de outubro, o canal ultrapassou 3,3 milhões de seguidores em poucos dias. A área técnica do TSE não identificou novas publicações com informações consideradas falsas pela Corte entre 2 e 11 de outubro, mas apontou indícios de mobilização coordenada para ampliar a circulação de conteúdos e organizar ações de apoiadores nas redes.
O plenário do TSE ainda deverá analisar o caso. Nunes Marques convocou representantes e advogados das campanhas de Lula e Flávio para uma reunião nesta terça-feira (13), às 15h30, em Brasília, sobre o cumprimento das regras eleitorais nas redes sociais.

