O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros entre 3,75% e 4,00%. A decisão foi aprovada por 10 votos a dois, em meio à inflação persistente e às divergências entre dirigentes sobre os próximos passos.
Em comunicado, o órgão afirmou que a inflação “segue elevada” e sinalizou que poderá voltar a elevar os juros, dependendo da evolução dos preços nos próximos meses. O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) disse que a coleta de mais informações ajudará a definir a política monetária necessária para levar a inflação de forma sustentável à meta de 2%.
A avaliação do Fed sobre a economia também mudou: a expansão, descrita como “sólida” em setembro, foi considerada “forte” nesta semana. O órgão apontou investimentos robustos e criação de empregos em ritmo alinhado ao crescimento da população ativa.
Entre os votos contrários à manutenção, a governadora Lisa Cook defendeu uma alta imediata de 0,25 ponto percentual. Ela foi acompanhada por Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, que já havia divergido da maioria em reuniões anteriores pelo mesmo motivo.
A cautela ocorre enquanto o custo da energia permanece elevado, com impacto especialmente sobre o diesel, usado no transporte de cargas, na agricultura e na indústria. A inflação americana está cerca de um ponto percentual acima da meta de 2%, e o mercado financeiro considera possíveis novas altas no ciclo que se estende até 2027.
Inflação e custo de vida também estão no centro do debate político antes das eleições legislativas de 3 de novembro. Republicanos e democratas disputam o controle do Congresso; os democratas buscam ampliar o poder de fiscalização sobre o governo e a condução do banco central.

