Autoridades do Departamento da Guerra dos Estados Unidos orientaram integrantes europeus da Otan a moderar declarações sobre a ameaça russa ao continente, segundo reportagem publicada pela Reuters nesta sexta-feira (30). Quatro pessoas a par do assunto disseram à agência que, para a gestão de Donald Trump, algumas falas de líderes e autoridades europeus prejudicam a segurança do continente.
Lituânia, Letônia e Estônia estão entre os países que teriam recebido os pedidos, segundo as fontes ouvidas pela Reuters. De acordo com a apuração, Elbridge Colby, subsecretário da Guerra para Assuntos Políticos dos EUA, seria um dos funcionários que fizeram as solicitações.
Colby teria dito a uma autoridade de um país báltico que não deveria haver “provocações” e citado a frase de que a Rússia estaria “encurralada como um rato”. A Reuters apontou que a fala pode se referir a um comentário do primeiro-ministro estoniano, Kristen Michal, que descreveu Vladimir Putin como um “rato encurralado” na guerra na Ucrânia.
Uma autoridade europeia relatou à agência que o Pentágono enviou mensagens dizendo: “estamos ajudando vocês. Os americanos estão presentes. Apenas não sejam barulhentos. Não façam alarde”. Em reunião recente, o Pentágono também teria orientado uma delegação estoniana a ser “ponderada” em suas comunicações, segundo a Reuters.
O Departamento da Guerra não confirmou os pedidos. Uma autoridade do Pentágono disse que não comentaria as alegações, afirmando que conversas privadas entre aliados são privadas.
A reportagem foi publicada enquanto Trump tenta retomar negociações para um cessar-fogo na Ucrânia. Após encontro na Rússia entre Putin e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, o Kremlin informou que o líder russo concordou em retomar negociações de paz com a Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos, a partir do próximo mês.

