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PT teme que Flávio Bolsonaro amplie pressão dos EUA sobre o Brasil

O analista Pedro Venceslau citou possíveis sanções e a retomada da Lei Magnitsky como cenários de preocupação, sem anúncio de medidas concretas por Washington.

PT teme que Flávio Bolsonaro amplie pressão dos EUA sobre o Brasil

O PT acompanha com preocupação a permanência do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos e os possíveis efeitos políticos da estadia. A avaliação, apresentada pelo analista de Política Pedro Venceslau, é que o tratamento dado ao parlamentar pelo governo de Donald Trump pode ampliar a pressão internacional sobre o Brasil.

Durante o programa CNN 360º, nesta quarta-feira (28), Venceslau afirmou que integrantes do partido receiam que Flávio seja tratado como uma liderança de projeção internacional. Essa possibilidade poderia dar novos contornos à disputa política brasileira após a eleição presidencial.

Possíveis cenários diplomáticos

Entre as hipóteses acompanhadas pelo PT está uma eventual comparação com Juan Guaidó. Em 2019, o venezuelano se declarou presidente interino da Venezuela após contestar a reeleição de Nicolás Maduro e recebeu reconhecimento dos Estados Unidos e de outros países, mas nunca assumiu o controle do governo.

Venceslau ressaltou que os contextos brasileiro e venezuelano são diferentes. Ainda assim, disse que Washington poderia tratar Flávio como liderança política internacional e, a partir disso, impor sanções ao Brasil. O analista também citou a possibilidade de os Estados Unidos exigirem contrapartidas do governo brasileiro ou voltarem a aplicar a Lei Magnitsky.

Essas hipóteses foram descritas como preocupações, não como decisões anunciadas. Até o momento, não há confirmação de que Trump pretenda reconhecer Flávio como presidente eleito ou adotar novas sanções contra o Brasil por causa da disputa eleitoral.

Estratégia e declarações

Venceslau apontou que os próximos passos do senador nos Estados Unidos ainda não estão claros. Uma possibilidade seria tentar manter influência sobre a política brasileira à distância e ampliar a visibilidade internacional de suas críticas ao resultado eleitoral.

Após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio contestou o resultado das urnas em uma carta e se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, publicou nova versão, retirando a expressão e passando a se apresentar como “líder do Brasil”. Ele também afirmou que pretende liderar a oposição do exterior. As acusações de fraude que fez não foram acompanhadas de provas públicas de irregularidades capazes de alterar o resultado oficial.

Trump ainda não reconheceu formalmente o resultado eleitoral brasileiro e voltou a classificar a eleição como “muito estranha”, embora tenha dito que não pretende se envolver diretamente. Até agora, não anunciou apoio formal à autoproclamação de Flávio nem confirmou medidas de pressão contra o Brasil relacionadas ao caso.